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Family stories:FRANCISCO DE BORJA GARÇÃO STOCKLER
Posted by: WELFARE JOELE PINTO on July 27 2017 16:51

FRANCISCO DE BORJA GARÇÃO STOCKLER (Lisboa, 25 de Setembro de 1759Faro, 6 de Março de 1829) foi um nobre, militar e administrador colonial português. Primeiro e único barão da Vila da Praia, alcançou o posto de tenente-general do Exército Português, 8.º capitão-general dos Açores, político e matemático. Foi um dos pioneiros do cálculo diferencial e um dos mais notáveis historiadores da Matemática em Portugal, autor de uma obra que ainda mantém relevância quase dois séculos após a sua publicação. Demonstrando grande erudição, também se dedicou à poesia e à literatura.

Índice

Biografia

Francisco de Borja Garção Stockler era filho de Cristiano Stockler, grande comerciante, natural de Lisboa, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Margarida Joséfa Rita de Orgiens Garção de Carvalho. Era neto paterno de Christian Stockler, natural de Hamburgo, homem de negócios estabelecido em Lisboa nos princípios do século XVIII onde representava os interesses de comerciantes das antigas cidades hanseáticas.

Garção Stockler casou, a 3 de Janeiro de 1796, com D. Inês Gertrudes de Mendonça e Moura, filha de D. João Francisco de Moura, cavaleiro da Ordem de Cristo e escrivão da Mesa Grande da Alfândega de Lisboa, e de sua mulher, D. Ana Catarina da Silva e Távora, de quem teve vários filhos. Tendo esta falecido em 1835, casou com D. Maria Margarida Stockler, sua sobrinha, filha de António Xavier Stockler, e de sua mulher D. Rita Inácia de Brito Lambert, não deixando descendentes desse casamento.

Ao longo da sua carreira Garção Stockler, apesar das inimizades e do período conturbado em que viveu, coincidente com as invasões francesas e com o dealbar do liberalismo, granjeou um impressionante acervo de títulos e cargos: fidalgo cavaleiro da Casa Real; do conselho de el-rei D. João VI, comendador da Ordem de Cristo, tenente general do exército, secretário e conselheiro do Conselho Ultramarino, governador do Algarve, governador e capitão general dos Açores; Secretário das Imediatas Resoluções do Rei relativas ao Exército; membro da Junta do Código Criminal Militar e da Junta convocada para a formação do projecto da Carta Constitucional em 1823; lente de matemática na Academia Real de Marinha; deputado da Junta de Direcção da Academia Militar do Rio de Janeiro, secretário da Academia Real das Ciências de Lisboa e sócio da Sociedade Real de Londres, para além de outras honras e cargos.

Por decreto de 29 de Setembro de 1823, de D. João VI, rei de Portugal, Francisco de Borja Garção Stockler foi feito barão da Vila da Praia em reconhecimento do seu desempenho enquanto governador e capitão-general dos Açores. O título foi concedido por uma vida, tendo sido seu único titular.

O tenente-general Francisco de Borja Garção Stockler, 1.º barão da Vila da Praia, faleceu no Algarve. Aquando da sua morte Stockler exercia o cargo de Governador das Armas do Algarve, nomeado por D. Miguel I.

Carreira académica

Destinado à carreira das armas, Garção Stockler cedo ingressou no Exército, seguindo o normal percurso da oficialidade da época. Em 1784, já com 25 anos e com a patente de capitão, matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde cursou Matemática. Obtido o grau de bacharel, foi nomeado lente da Academia Real de Marinha, iniciando aí um distinto percurso de investigação na área dos limites e do cálculo diferencial, então uma nascente área do conhecimento.

Pouco depois da sua nomeação para lente de Matemática na Academia Real de Marinha, Garção Stockler foi eleito membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, iniciando um intenso labor académico do qual resultaram numerosas publicações insertas, a partir de 1791, nas Memórias da Academia. Essas publicações lidavam essencialmente com a teoria dos limites e com as temáticas que hoje vulgarmente se designam por cálculo diferencial, mostrando que estava a par dos mais recentes trabalhos que nesta matéria então se publicavam na Europa.

A sua actividade académica granjeou-lhe notoriedade suficiente para ser nomeado para o cargo de secretário da Academia, cabendo-lhe a elaboração do elogio de diversas personalidades do meio académico e político, entre as quais Pascoal José de Melo Freire dos Reis, José Joaquim Soares de Barros e Vasconcelos, Roberto Nunes da Costa, Martinho de Melo e Castro, Bento Sanches de Orta e Guilherme Luís António de Valleré. Alguns destes elogios históricos foram posteriormente publicados pela Academia e outros pelo autor, nas suas Obras Completas, das quais saíram os volumes I e II (em 1805 e 1826, respectivamente).

Também escreveu o elogio d’Alembert, inspirado no que havia sido escrito pelo marquês de Condorcet, demonstrando bem conhecer os trabalhos dos pensadores franceses coevos.

Numa honra raramente concedida a cientistas portugueses, Garção Stockler foi eleito a 1 de Abril de 1819 para membro correspondente ("Foreign Member") da Royal Society de Londres, numa proposta subscrita, entre outros, por John Rowley e S. R. Chapman.

A Guerra das Laranjas e as invasões francesas

Garção Stockler participou, sob o comando do marechal general D. João Carlos de Bragança Sousa e Ligne, 2.º duque de Lafões, nas campanhas de 1801 contra as forças invasoras do Príncipe da Paz, a famigerada Guerra das Laranjas. Stockler foi secretário militar do duque, de 1797 a 1801, e parece ter tido um papel importante na condução das operações, ficando o seu nome ligado ao estrondoso fracasso das forças portuguesas. Apesar disso, ou talvez por causa disso, foi nomeado para diversos cargos de importância, entre os quais para vogal do Conselho Ultramarino e membro da Junta do Código Criminal Militar.

Mais tarde, na sua obra Cartas ao autor da História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, publicada em 1816, tentou explicar as suas acções durante as invasões francesas e apresenta pormenorizadamente as propostas do marechal general e a sua interpretação dos factos que levaram à derrota portuguesa.

Quando em 1807 as forças francesas comandadas pelo general Junot entram em Portugal e a corte se retira para o Brasil, Stockler ainda exercia as funções de secretário da Real Academia das Ciências, sendo um dos dignitários que, em nome da Regência do Reino, se dirigiram a Sacavém para saudar o general invasor. Esta atitude, e ainda o facto da Academia haver de imediato eleito Junot para sócio, emitindo um diploma que, acompanhado por um discurso laudatório, foi entregue a Junot por Stockler, enquanto secretário da mesma, granjearam-lhe fama de colaboracionista, ao mesmo tempo que o colocavam na confiança dos franceses.

Aceitando de Junot o comando da bateria da Areia, próximo a Belém, que entrou em acção para impedir a saída de navios portugueses que pretendiam refugiar-se no Brasil, Stockler deu provas de verdadeiro colaboracionista, o que levou a que, após a retirada francesa, a Regência lhe retirasse todos os cargos e privilégios.

Na sequência de um requerimento em que Stockler, que já então era brigadeiro, pedia a reintegração, o conde de Linhares, Ministro do Príncipe Regente no Brasil, enviou ao presidente da Regência do Reino um ofício que bem demonstra a desconsideração em que havia caído: — Ex.mo e Rev.mo Sr.Tendo levado à augusta presença de Sua Alteza Real o príncipe regente nosso senhor a carta inclusa e mais papéis do brigadeiro Francisco de Borja Garção Stockler, cujos talentos militares verificados na campanha de 1801, são assaz constantes ao mesmo senhor, em cuja real presença é além disto mui pouco acreditado pela missão em que foi mandado a Junot, e depois pelo comando da bateria da Areia junto à Torre de Belém, donde barbaramente fez atirar sobre navios portugueses, que se faziam à vela para saírem do Tejo; contudo Sua Alteza Real ouvindo os sentimentos da sua incomparável justiça e piedade, é servido que os governadores do reino informem, interpondo o seu parecer e depois de ouvir o marechal general ou o marechal general do exército se haverá algum lugar activo em face do inimigo, onde o suplicante possa ser empregado, e neste caso o proponham para esse posto, a fim de que se verifique se ele tem realmente grandes talentos militares, ou se nesta matéria como nas outras se avalia muito além do que vale; o que é assaz conhecido quando, como matemático, quis associar-se ao tão justamente célebre Lagrange. — Palácio de Santa Cruz, em 25 de Novembro de 1809.Conde de Linhares.

A acusação de colaboracionismo com as forças francesas, e de incompetência militar na campanha da Guerra das Laranjas, surgiu publicada na História Geral da Invasão dos Franceses, de José Acúrsio das Neves, desencadeando uma longa polémica pública, tendo Stockler respondido numa obra intitulada Cartas ao autor da História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, que a Academia se recusou a publicar, mas que foram publicadas pelo autor. A polémica não se esgotou com esta publicação, prosseguindo pela via epistolar, tendo Stockler publicado as cartas no Investigador Portuguez.

Contudo, apesar dos ódios e incompreensões, conseguiu a reintegração e a promoção a marechal-de-campo, recomeçando, contra todas as probabilidades a sua carreira.

A estadia na corte do Rio de Janeiro

Em 1812 parte para o Brasil, ingressando na corte e reconquistando, com notável rapidez, ao que se diz pelas suas qualidade intelectuais, a confiança do Governo e do príncipe regente.

Garção Stockler ainda residia no Rio de Janeiro aquando, por morte da rainha D. Maria I, o príncipe regente D. João foi aclamado rei com o título de D. João VI. Coube-lhe então, em nome da Academia Real das Ciências de Lisboa, produzir um Discurso dirigido em nome da Academia Real das Ciências a Sua Majestade o Senhor D. João VI, por ocasião da sua exaltação ao trono, que foi publicado no tomo VI, parte I, das Memórias da Academia.

Para além do seu labor académico enquanto matemático, Garção Stockler também se interessou pela poesia, escreveu uma obra poética, a que chamou Poesias Lyricas, constando de odes horacianas, salmos traduzidos e de um poema filosófico, Aves, que fora principiado pelo poeta brasileiro Sousa Caldas. Numa clara manifestação de erudição, Stockler incluiu no volume uma dissertação sobre o ritmo na poesia hebraica.

Submetida à Academia, a obra foi considerada, por parecer emitido em 1819, como violando a ortodoxia católica, ventilando ideias consideradas paradoxais. Stockler não aceitou modificar a obra, recorrendo à sua publicação em Londres. Em resultado, a obra foi efectivamente condenada, mais tarde, em Roma, por decreto da Sagrada Congregação do Index, de 23 de Junho de 1836, e incluída no Index Librorum Prohibitorum.

Data também deste período a elaboração da obra Ensaio histórico sobre a origem e progressos das matemáticas em Portugal, posteriormente publicada em Paris, que despertou logo crítica favorável pelos estudiosos coevos, como José Silvestre Ribeirão na Resenha de Litteratura Portugueza, tomo I, páginas 16 e seguintes, e o artigo inserto nos Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras, no tomo V, páginas 138 a 156. Esta obra, que já foi objecto de reedição, mantém-se como uma das melhores histórias do pensamento matemático português até aos alvores do século XIX, e uma das primeiras obras do género publicadas na Europa.

Também durante esta estadia no Brasil, interessou-se por temas de educação, sendo autor de um estudo sobre o estabelecimento da instrução pública no Brasil, um projecto pioneiro naquele país e onde é patente a erudição e o conhecimento que Stockler tinha do pensamento europeu coevo. Aquele projecto ainda mantém interesse na história da educação e da pedagogia.

Outra das funções que exerceu foi a de deputado da Junta de Direcção da Academia Militar do Rio de Janeiro, onde, em conjunto com Wilhelm Ludwig Freiherr von Eschwege, o barão de Eschwege, teve papel importante na estruturação do ensino nas áreas da matemática e da física. Esta escola militar, criada por carta régia de 4 de Dezembro de 1810 iniciou as suas actividades a 23 de Abril de 1811. É uma das instituições antecessoras da actual escola superior do Exército brasileiro, a Academia Militar das Agulhas Negras, e foi a primeira escola de engenharia no Brasil.

Stockler nas funções de Capitão-General dos Açores

Durante a sua estadia no Rio de Janeiro surgiram profusas queixas na corte ali instalada sobre a actuação do brigadeiro Francisco António de Araújo e Azevedo nas funções de Governador e Capitão-General dos Açores. As populações e as autoridades insulares queixavam-se do seu rigor nos recrutamentos militares e particularmente da sua acção no arroteamento de baldios públicos, que eram concedidos, acusavam as câmaras das ilhas, a particulares, em geral amigos do Capitão General, em detrimento do interesse dos povos. Essa apropriação dos baldios deu origem a profundos ódios e desavenças e, mais tarde, conduziu aos motins da Justiça da Noite que, durante décadas, abalaram a pacatez insular.

Estando na corte, e tendo ganhado notoriedade pela sua produção académica e inteligência, Garção Stockler conseguiu ser nomeado por D. João VI, em 12 de Novembro de 1819, para ir substituir o capitão-general caído em desgraça. Stockler partiu para Lisboa em Agosto seguinte com o fito de receber da Regência as ordens necessárias à governação dos Açores.

Por esta mesma altura desencadeia-se em Portugal o movimento constitucional. É assim em plena fase inicial da Revolução de 1820 que Stockler chega a Lisboa. Embora sendo claramente antiliberal, aparentemente a fama de jacobino e de colaboracionismo com os franceses foi-lhe aqui útil. A Junta revolucionária que governava o país recebe-o e reconfirma-o no cargo, permitindo a sua partida para os Açores.

A sua chegada aos Açores, a 18 de Outubro de 1820, foi saudada com efusiva alegria, pois significava o fim da tirania do brigadeiro Francisco António de Araújo e Azevedo. Ambos os partidos depositavam esperanças na sua actuação: os liberais, acreditando que a reconfirmação dada pela Junta Suprema era um sinal de ideias pró-constitucionais; os absolutistas convictos que a sua nomeação por D. João VI antes da revolução era uma garantia da sua adesão ao rei absoluto.

Tiveram razão os absolutistas, já que Stockler proibiu os contactos políticos com Portugal e obrigou todo o expediente administrativo e judicial açoriano a ser enviado para a corte do Rio de Janeiro, não reconhecendo a legitimidade e autoridade das instituições de Lisboa.

Quando se aperceberam da orientação do novo capitão-general, os liberais açorianos iniciaram movimentações no sentido de proclamarem, pela via revolucionária, o constitucionalismo no arquipélago. Foi assim que, capitalizando o descontentamento com a governação dos capitães-generais, com sede na Terceira, ilha que diziam dominava todas as outras e absorvia o grosso dos recursos fiscais, a 1 de Março de 1821, uma revolta militar em Ponta Delgada, inspirada por elementos civis que pretendiam a libertação da ilha de São Miguel àquilo que entendiam como o jugo da Terceira, instala o regime constitucional na ilha de São Miguel e proclama a independência daquela ilha do Governo de Angra.

Stockler ainda tenta resistir, mas logo a 2 de Abril de 1821 uma revolução constitucional em Angra, inspirada pelos deportados da Amazona e pelos seus conversos, reinstala no poder o brigadeiro Francisco António de Araújo e obriga Stockler a refugiar-se na Praia. Contudo, dois dias depois, a 4 de Abril, num contra-golpe militar ocorrido no Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, o brigadeiro Araújo é morto e Stockler retoma o poder.

É neste contexto que Almeida Garrett, que pouco antes fundara em Coimbra a loja maçónica e secreta Sociedade dos Jardineiros, se desloca entre Maio e Agosto de 1821 à Terceira, talvez como emissário da Maçonaria, para tentar firmar a nova legalidade constitucional na ilha, no que encontra forte oposição de Stockler, que ameaça prendê-lo caso ele se manifestasse publicamente a favor da Constituição. Deste episódio resultou o poema herói-cómico O X, ou a incógnita, que Garrett escreve, sem concluir, alusivo ao capitão-general (aparecido em edição póstuma em 1985).

Contudo, a 13 de Maio de 1821 chegou à Terceira a fragata Pérola, comandada pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Marçal Pedro de Ataíde Barahona, e este intimou Stockler para que reconhecesse o governo liberal. Stockler insurgiu-se contra a intimação e resistiu, mas não encontrou o apoio que esperava na população, pelo que a 15 de Maio de 1821, em cerimónia solene realizada na Câmara de Angra, são juradas em Angra as bases da futura Constituição. Stockler abdica do cargo de Governador e Capitão General mas fica, em conjunto com o bispo da diocese, D. frei Manuel Nicolau de Almeida, adido ao governo.

Esta solução não foi aceite pelas Cortes e a 19 de Julho de 1822, pelo brigue Flor do Mar, chega ordem régia para Stockler e o bispo saírem da ilha Terceira, o que estes cumprem a 11 de Agosto de 1822.

À chegada a Lisboa Stockler é colocado sob prisão por ordem das Cortes, desencadeando um processo que em boa parte decorreu através da publicação de sucessivas justificações e refutamentos e de longos debates pela imprensa, escrevendo Stockler um Memorial dirigido ao Ill.mo sr. Luiz Manuel de Moura Cabral, desembargador da Casa da Supplicação, illustrado com algumas notas, além de muitas obras que assinava com pseudónimos ou a que punha o nome do filho, António Nicolau de Moura Stockler, que então contava apenas 17 anos de idade.

Essas obras são as Cartas sobre os acontecimentos da ilha Terceira, por um Cidadão imparcial, a Nota ao n.º 75 do Campeão Lisbonense por um Amigo do general, as Observações ou notas illustrativas do folheto intitulado «Voz da Verdade provada por documentos», a Carta sobre o n.º 2 do folheto intitulado a «Voz da Verdade» e a Analyse critica ao libello famoso intitulado «Noticia resumida dos acontecimentos da ilha Terceira na installação do seu governo constitucional», tudo isto com o nome de seu filho.

Finalmente o próprio, general respondeu com o seu nome num folheto a umas Notas Críticas, publicadas em 1822 pelo Dr. Vicente José Ferreira Cardoso da Costa, a um ofício que ele dirigira ao conde dos Arcos.

Todas estas questões, e o processo judicial a elas associado, terminaram com a queda do governo constitucional em 1823, em resultado da Vilafrancada, ficando o comportamento de Stockler ilibado à face da lei, pois se tornava em acção meritória o que até então lhe imputavam como delito. Por sentença de 10 de Junho de 1823, foi a conduta de Stockler julgada benemérita, legal e recomendável, ficando totalmente reabilitado. O mesmo aconteceu com o bispo.

Sendo um dos presos políticos libertados, Stockler granjeou grande renome, pelo que de imediato foi nomeado para a comissão encarregue de elaborar uma Carta de Lei que preenchesse o vazio deixado pela revogada Constituição. Extinta esta comissão, sem qualquer lei produzida, Stockler foi de novo nomeado governador e capitão-general dos Açores, sendo também agraciado com o título de barão da Vila da Praia, por decreto de 29 de Setembro de 1823.

A bordo da charrua Princesa de Portugal, Stockler chega a 17 de Novembro de 1823 a Angra, reassumindo dois dias depois as suas funções. A recepção foi apoteótica, com três dias de festejos e um sem cessar de homenagens e juras de fidelidade. Seguiu-se de imediato a perseguição aos liberais e seus simpatizantes, com numerosas prisões e expulsões da ilha, criando-se um reino de terror que só tivera paralelo aquando da invasão castelhana de 1583.

Decorria este período de repressão quando a 14 de Maio de

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Other:Poema eleitoral
Posted by: Mario Mattos Rocha on Oct 28 2010 15:49

VOTAR, VERBO INTRANSITIVO

por Mario Mattos Rocha

Ser petista de primeira hora

Coordenar a Verificação Informatizada de Contagem de Votos da Eleição do Lula para Governador do Estado de São Paulo, em 1.982 (lembram, que mico!)

Batalhar durante mais de vinte anos pra eleger o Lula Presidente da República!

Ver desmoronar o trabalho de milhares de militantes em pouco mais de um ano quando o Presidente da Republica, por nós eleito, jogou no lixo o nosso patrimônio fundamental frente a nossos adversários: a ÉTICA, quando diante do escândalo do MENSALÃO defende os implicados mesmo depois de comprovações de culpa.

Ser um educador e constatar que a maior autoridade brasileira, por suas declarações públicas se orgulha de ter chegado ao cargo sem ter educação formal, com isso incentivando os jovens a não estudarem para incrementar sua formação, pois isso não seria fundamental. Nosso Presidente teve todas as oportunidades de estudar, antes e depois da eleição. Não estudou porque não quis. Estudar não é desmerecimento. Veja o exemplo de outros, como Vicentinho que hoje tem curso superior. Acho que isso não o desmerece, pelo contrário mostra a vontade de melhorar seu desempenho. Não entendo porque ter orgulho de ser ignorante se tem os meios de buscar conhecimento. O cargo lhe permite contratar um professor de português que lhe ensine a usar corretamente a concordância verbal, concordância de gênero e de número. Aprender uma língua estrangeira também não é um absurdo. Parece que as empresas estão exigindo isto no curriculum. Não se aprimorar é um desrespeito ao povo brasileiro, mas entendo que também é um golpe de marketing, principalmente internacional. Afinal somos um País folclórico.

Verificar que na área da Educação nada se fez de significativo no Ensino Básico em oito anos de governo. Os últimos que conseguiram realizar um trabalho sério nesta área foram Luiza Erundina em São Paulo e Cristovam Buarque em Brasília, ambos expulsos do PT.

Ser um democrata e verificar que aquele que ajudei a subir ao poder pelos processos democráticos, tem apenas um objetivo: MANTER-SE NO PODER. Desta forma ele ignora a legislação, as instituições e a ética. Baseado em sua popularidade ele acha que pode tudo e que não deve satisfações a ninguém. Sei de uma pessoa do século passado que tinha aceitação quase unânime pelo povo de seu país. Seu nome era Mussolini.

Ser um homem de Partido Político tendo que votar em alguma eleição em um candidato que eu não achava o melhor, mas o Partido achava.

Identificar que o PT foi o único Partido de oposição responsável até que assumisse o poder.

Ver o Partido dos Trabalhadores, que ajudei a construir, ser tomado por uma onda de corrupção e cujos dirigentes alegam que “isto já existia antes”. Não foi pra isso que eu lutei. Não foi pra fazer um governo um pouquinho melhor do que os anteriores, como eu acho que esse é. Foi pra criar um mundo melhor: com educação, sem corrupção, sem mentiras. Foi pra criar um país que pudesse ser visto pelo Homem mais Importante do Mundo como O PAÍS e não seu dirigente como O CARA que não acho que ele é.

Reconhecer que os programas sociais como o Bolsa Família ajudaram a tirar da miséria absoluta milhões de brasileiros, mas são usados escancaradamente como moeda de compra de votos. O correto seria criar campanhas educativas dentro dos programas como: “Arrume um emprego e orgulhe-se de ceder seu Bolsa Família para outro mais necessitado” e não: “Cuidado, se arrumar emprego vai perder seu Bolsa Família”, como é hoje. O que acontece atualmente, na prática, é um incentivo à vadiagem, pois não há nenhuma ação no sentido de que o beneficiado supere sua situação presente.

Ver o Partido dos Trabalhadores, estar dominado por cerca de 1/3 de corruptos em seus quadros.

Ouvir velhos companheiros de luta - imitando seu líder que confunde o cargo da Presidência da República com a função de cabo eleitoral sem o mínimo pudor e respeito às leis - blasfemarem contra seus adversários políticos como se eles fossem inimigos mortais num linguajar que mais parece vir de bocas de (más) torcidas de futebol. Isto tipifica total incivilidade e péssima postura política. Nunca pregamos “O Poder a qualquer preço” e sim “O Poder pela justeza das Causas e das Ideias”.

Votar em quem? Em Dilma não pode ser pelo que expus acima. Serra é PSDB, adversário histórico. Nulo ou branco não é protesto. Votar nulo ou branco quer dizer: “Votei no vencedor”. Explico: Se 40 milhões votam na Dilma, 38 milhões votam no Serra e 4 milhões votam brancos e/ou nulos, ganha a Dilma, ou seja, é a mesma coisa que se os brancos/nulos tivessem votado nela. Eu não posso votar nela e contribuir com a continuidade de tanto descalabro. Então devo deixar de ser um homem de Partido, pois só me sobra uma alternativa: tenho que votar no Serra e recomendar que o PT volte à oposição responsável e ética e reaprenda a jogar o jogo democrático.

Votar nesta eleição é verbo intransitivo, simplesmente porque votar ficou mais importante do que em quem votar.

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Mario Mattos Rocha é Professor de Física e Funcionário aposentado da Universidade de São Paulo – USP

Colaboração de Guega Rocha Carvalho

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Family stories:Um ano de vida nova
Posted by: Guega Horta de Lima Rocha on Aug 4 2010 08:38

Faz um ano que resolvi mudar de vida, deixar de ser publicitária e voltar a ser estudante. Comecei a escrever um blog para contar essa experiência.

Quem quiser conferir aí está:

http://tijoloportijolo.wordpress.com/

Beijos, Guega

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Poesia:Homenagem a Geandré Mattos Chituzzi
Posted by: Mario Mattos Rocha on June 18 2010 09:14
OS OITO SENTIDOS

Geandré

Não fosse o perfume das acácias

O esplendor dos flamboyant

A irradiação dos girassóis

Eu não estaria aqui

Não fosse o sorriso fácil e o sono de paz de uma criança

A carícia de uma alma feminina

A esperança de um desvalido

Eu não estaria aqui

Não fosse o nascer dos meus filhos

A compreensão dos meus pais

As paixões que um dia fizeram sentido

Eu não estaria aqui

Não fosse o azul turquesa do Ceará

As ondas esmeraldas debruadas do Guarujá

O frescor de Mallorca

O berço de Santos

As ramblas da Catalunha

O vigor de São Paulo

Eu não estaria aqui

Não fossem as canções do Roberto

Do Lennon

Do Jorge Ben Jor

Os versos de Clarice Lispector

O desenho do Jaguar

O coração do Ziraldo

O fauvismo de Matisse

A forma de Mondriani

O desfile da Salgueiro

Eu não estaria aqui

Não fosse o sol que me jambeia

Esta lua que cobre meus pensamentos

Esta duna que curva meu destino

O canto espreito do rouxinol

Eu não estaria aqui

Ah... não fosse o Grants que dei por bebido

A amora que provei do seu sumo

A amêndoa caramelada

Os calamares flambados no demi-sec

Eu não estaria aqui

Não fosse o sorriso tímido de garoto

E o seu semblante sereno

que nos deixou tão temprano e nos eternizou

Eu não estaria aqui.

Não fosse o homem que luta a vida inteira

Ah...não fosse você e suas palavras amigas

Seus ombros que ancoram as minhas dores

E os caminhos que um dia percorreremos em busca de um novo sonho

Ah...aí ,então sim,fosse o que fosse ...

Definitivamente eu não estaria aqui

(Geandré é um cartunista santista, amigo nosso. Obrigada, Geandré, pelo carinho. Um beijo grande.) Ange

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Family stories:Livro delicioso de se ler onde se conhece um pouco mais da historia da familia Rocha
Posted by: Maria Elizabeth Gonçalves Evangelista on June 7 2010 19:05

'O pai, a mãe e a filha' integra memória de criança e memória de escritores

O Pai, a mãe e filha traz as lembranças de uma menina entre os 4 e os 8 anos de idade, na São Paulo de fins dos anos de 1940 e início dos anos de 1950. Interessada no universo dos adultos que a cercavam, a menina encontra nos contos de fadas, nas histórias de família e no registro de acontecimentos os mais variados, motivo de grande diversão.

Ilustrado com desenhos feitos por ela no período coberto pelas lembranças, o texto encadeia narrativas contadas ora pela menina, ora pela adulta que se tornou. Tendo convivido com personalidades do universo artístico e intelectual desse período, ligadas a seus pais, a autora Ana Luisa Escorel reproduz histórias sobre elas, na maioria das vezes sem citar nomes, dando ao leitor, no entanto, pistas para identificá-las.

* Veja as fotos da obra

O livro, que será lançado no próximo dia 22 pela editora Ouro Sobre Azul, procura, ainda, situar o universo familiar dos pais da menina, ambos ricos de acontecimentos pouco usuais.

Walnice Nogueira Galvão

"Este é um livro que nasceu clássico. Memórias de infância por um lado, memórias de escritores por outro, dois gêneros bem assentados em nosso país bem como pelo planeta afora, nada tem de ambíguo, antes de duplo. O olhar da menina, assim lindamente nomeada, vai organizando e decifrando o mundo a partir da casa, focalizando o entorno, os vizinhos, a malta dos pequenos, os visitantes. E se volta da infância para trás, perscrutando o passado tal como se apresenta às crianças, encarnado nos mais velhos: os pais, os tios, os avós, e os casos que contam. A teia vai compondo o universo em que a menina se move.

A prosa apurada, que evita o clichê mas incorpora o coloquial, revela-se cheia de sábias escolhas. Quem escreve é um adulto, sopesando, discriminando, ponderando.Podam-se com rigor os nomes próprios, o que alivia o texto e evita o cunho de almanaque. Os "podres" são narrados com graça. A vida deste tomboy franzino mas forte, os cabelos cortados, sempre de macacão, é cheia de traquinagens e peripécias. Delineiam-se os perfis de um pai e uma mãe marcantes, nem é preciso dizer, mas igualmente os de muitos outros figurantes.

O leitor fica com pena quando o livro acaba e nada mais acontece a partir da infância da menina, cujo olhar aprendeu a emular, sendo doloroso despregar-se dele. E depois? fica-se perguntando. Será que as venturas posteriores seriam menos interessantes? Não, com certeza, na pena desta escritora".

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Media:Artigo publicado no OESP sobre a Escola da Cidade- Faculdade onde Guega está cursando arquitetura
Posted by: Maria Elizabeth Gonçalves Evangelista on June 7 2010 18:46

Eles são do berço da arquitetura de SP. E querem mudar a cara do centro

Conhecidos como 'o povo da General Jardim', escritórios e instituições fazem da região sua base e têm projetos para revitalizar a área

06 de junho de 2010 | 0h 00
Edison Veiga , Filipe Vilicic - O Estado de S.Paulo

Profissionais.Há cerca de 20 escritórios na rua, como o Piratininga; lá também estão a Escola da Cidade e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)


Na Rua General Jardim, no centro, nascem ideias que mudam a cara de São Paulo. Isso porque lá estã...

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