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O meu nome é Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" e comecei este sítio.
Este sítio for criado usando o MyHeritage.com. É um grande sistema que permite a qualquer pessoa como você e eu a criar um sítio privado para a sua família, construir uma árvore genealógica e compartilhar dados e fotos da família. ESTE SITE ESTÁ SUJEITO A ERROS E OMISSÕES E FOI FEITO COM O PRÓPOSITO DE INFORMAÇÃO SOMENTE. Se tiver qualquer comentário ou opinião acerca deste sítio, por favor clique here para me contactar.

Este sítio foi atualizado pela última vez em 19 de Abril de 2014  e atualmente tem 529 membro(s) registrados e 68,143 nomes inscritos.If you wish to become a member too, please click here.   Divirta-se! Leia com atenção todos os artigos publicados na primeira página de nosso site, pois eles revelam acontecimentos, eventos e história da familia desde 1597 começando por Gaspar Jorge e sua esposa Catarina Jorge, que são avós da Maria Nunes Correa, a mãe das legendárias tres ilhoas, Antonia da Graça, Júlia Maria da Caridade e Helena Maria de Jesus, que emigraram para o Brasil procedente das ilhas dos Acores  por volta de 1724 ,  de onde originou a familia de Elena Maria do Espirito Santo que se casou em 1758 em São João del Rei, MG, com o nosso patriarca João Francisco Junqueira, originario de São Simão da Junqueira, que emigrou para o Brasil por volta de 1750 e marco zero da familia Junqueira no Brasil. e  que muito orgulhosamente dedico este trabalho a todos os seus descendentes que são muitos como podemos constatar nestas páginas. 

s. Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende"


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May 10, 2012
Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" added a photo of Sergio Buarque de Holanda :
 
 
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Kids:Que saudades do meu tempo de criança...
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Apr 21 2013 12:50

Hoje em dia o sonho de qualquer adolescente é chegar aos 18 anos, a idade da maioridade aonde começa a ser adulto, quando é permitido tomar bebidas alcolicas e mesmo tirar a sua carteira de motorista. A partir dai, termina a tutela dos pais, que não são mais legalmente responsáveis por aquele cidadão adulto que pode votar, casar e constituir a sua própria familia, ter seu próprio emprego, carro, abrir sua conta bancária e tirar seu passaporte podendo viajar para qualquer lugar do mundo, desacompanhado sem aquele titulo de "menor".

Enquanto nossos jovens sonham com estes dias que estão porvir, nós que somos mais antigos, que já passamos por todas estas fases e estamos entrando na terceira idade que no final nos conduz a nossa segunda infancia lembramos com saudades e nostalgia daquele tempo no qual tinhamos 10 anos. Como tudo era simples, o radio nos mantinham informado de tudo...

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Family memories:Casamentos na cidade de Aparecida do Norte, SP
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on May 20 2012 17:14

Nas pesquisas e elaboração de nossa árvore genealógica, salientou-se o grande números de parentes que escolheram a cidade de Aparecida do Norte, no Estado de São Paulo, principalmente antes de 1950, como o local de realização do casamento e também como local de reunião na celebração das bodas de pratas ou de ouro. Ao lado, a foto dos meus pais por ocasião do casamento no dia 3 de Maio de 1939, saindo da igreja.

È interessante citar, que os casamentos que foram realizados em Aparecida do Norte raramente terminaram em divorcios e como no caso de meus pais, o mesmo durou por mais de 60 anos somente terminando com a morte do casal.

A tradicional foto na entrada da basilica velha, de toda a familia na celebração dos 60 anos de casados dos meus avós, em 1958, mostrando todos os membros da familia, com os meus avós no centro da foto.

Se os seus pa...

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Family stories:Alegria na roça...
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Nov 17 2011 16:07

Alegria na roça, é quando...

Meu pai tinha um ditado que dizia: “Alegria na roça é o dia que se mata um porco”! Realmente, na roça é sinal de fartura, pelo menos por quatro meses, quando se abate um bom capado, pesando acima de dez arrobas e que produza, pelo menos, de quatro a cinco latas de vinte quilos de banha.

Dada às dificuldades e à falta de conforto da época, nos acostumávamos e valorizávamos muito aquilo que dispúnhamos, e, diga-se a verdade - éramos felizes. Teve época que engordávamos porco à meia, ou seja, quando do abate dividia-se o animal com o sócio que o cedeu. Esta troca de favores era muito comum entre vizinhos, principalmente quando acabava a banha, carne e lingüiça, do abate anterior, e não se dispunham de um animal pronto para engordar, aí é que entrava o vizinho sócio.

Todos os dias, assim que voltava do colégio, uma das minhas tarefas era dar trato ao capado. Além de lavagem - restos de comidas - e milho do nosso paiol, dependendo da época do ano, também tratávamos com mandioca passada do ponto de consumo, abóbora e nabissa, cultivadas na roça de milho recém colhida.

Uma semana antes do abate, começavam os preparativos: providenciar as tripas para encher lingüiça, soda cáustica para fazer o sabão no tacho, afiar as facas, descascar o alho usado no tempero e limpar o varal em cima do fogão de lenha, onde a lingüiça era defumada por meses, devido ao fato de não termos geladeira.

Meu velho acordava bem cedo e apanhava seu punhal afiado - usado uma ou no máximo duas vezes por ano - e rapidamente trazia o suíno, já morto, em uma carriola para ser limpo e destrinchado. Enquanto isso, um tacho era colocado no terreiro para ferver a água que seria usada na lida.

Antes do almoço, tínhamos como costume, levar uma boa porção de carne para todos os vizinhos. Este gesto de boa vizinhança foi nos passado de pais para filhos. No tacho, junto com a banha derretida, fritavam-se as carnes para serem posteriormente acondicionadas nas latas da própria banha e guardadas em nossa dispensa. Carne esta que durava até o próximo abate.
A tarefa mais árdua do dia ficava por conta da fabricação da lingüiça. Tudo feito manualmente, portanto, muito demorado. Talvez venha daí a expressão “encher lingüiça” quando nos referimos a algo que demora a ser feito, ou quando temos que “matar o tempo”. Com um espinho de laranjeira eu ia furando o produto já pronto para a retirada das bolhas de ar formadas no ato do enchimento.
O sabor da pururuca crocante boiando no tacho com a banha escaldante era indescritível. Da lingüiça defumada - temperada com alho e pimenta do reino – nem se fala! A saborosa carne retirada da lata de banha e frita na hora, na própria banha, são inesquecíveis. Não posso esquecer-me do delicioso chouriço feito com sangue.

Bons tempos onde a nossa referência era a simplicidade! Com três ou quatro mudas de roupas, um par de botinas para trabalhar na roça e um par de sapatos surrados para ir à cidade, estava feito nosso guarda roupa.

O paiol era lotado de milho e o quintal cheio de galinhas. Na tulha, feijão, arroz, réstias de cebola e alho para o ano inteiro. Na horta, toda espécie de verdura, e no pomar, onde as aves cantavam, muita fruta o ano inteiro. No chiqueiro, um capado engordando e por fim uma “sonata” ou vitrola, para ouvir “as modas” sertanejas nos finais de semana. Com este “kit capiau”, estava completa nossa alegria de viver. Simples assim!

E viva a fartura da roça!

Relato acima enviado pelo amigo Renato de Piracicaba.

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Family memories:Inconfidencia Mineira - Quebra de fidelidade e traição cometida contra o Rei
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Nov 6 2011 23:27

Leitura da sentença contra Tiradentes.
(óleo de Eduardo Sá)
Memória
da Justiça Brasileira

A Inconfidencia
e Seus Juízes

"Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharão, que o comparavam com a lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que com ele conversam, polo que é apartado da communicação da gente: assim o erro da traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa".

Assim definido nas Ordenações Filipinas, o crime de lesa- majestade abrangia uma ampla gama de situações, classificadas em "capitulos da primeira e da segunda cabeça". Entre os da primeira cabeça contavam-se a traição, a insurreição, a autoria ou cumplicidade em atentados contra o rei, contra sua família ou contra qualquer pessoa que estivesse em sua companhia ou, mesmo, a destruição de imagens do soberano, armas ou simbolos representativos do reino ou da casa real. Qualquer desses crimes deveria ser punido com a pena de "morte natural cruelmente", ou seja, execução pública por meio de torturas. Todos os bens dos justiciados passariam para a Coroa e tres gerações de descendentes ficariam "infamados para sempre, de maneira que nunca possam haver honra de cavalaria, nem de outra dignidade, nem Officio; nem possam herdar a parente, nem a estranho abintestado, nem per testamento, em que fiquem herdeiros, nem poderão haver cousa alguma, que lhes seja dada, ou deixada, assim entre vivos, como em ultima vontade, salvo sendo primeiro restituidos á sua primeira fama e estado".

Quanto aos capítulos da segunda cabeça, estavam inclusos a liberação pela força de presos já sentenciados, réus confessos ou prisioneiros de guerra, a agressão, ferimento ou morte desses presos, considerando que se encontravam sob a custódia da Coroa, a negativa de oficiais e magistrados em cederem os seus cargos e prestarem obediencia aos seus sucessores nomeados pelo rei etc. Nesses crimes, relativamente menores, a lesão á autoridade real era considerada como uma agravante, acrescentando as punições normais a desapropriação dos bens dos condenados.

Outra característica específica dos crimes de lesa-majestade era ocasionar a perda das garantias que limitavam a ação da Justiça. As Ordenações indicavam que "não gozará o acusado de privilegio algum para não dever ser metido a tormento, nem haver pena vil, porque de todo é privado. E para ser metido a tormento, bastarão menores indicios, que onde taes qualidades não concorrerem. E as pessoas, que em outros casos não poderiam ser testemunhas, nestes o poderão ser e valerão seus ditos". Mesmo assim, a disposição alertava que "se a testemunha for inimigo capital do acusado, ou amigo special do acusador, seu testemunho não terá credibilidade, mas sua fé deve ser mingoada, segundo a qualidade do ódio, ou amizade".


Inconfidencia e Rebelião na America Colonial

Não parece que o Juízo da Inconfidencia tivesse grande influencia no Brasil. Existia, evidentemente, o conceito de inconfidencia, explicitamente aplicado á chamada "Inconfidencia Mineira", mas resulta improvável que houvesse juízes da inconfidencia permanentemente estabelecidos em território americano ou mesmo que, diante dos feitos que a eles competiam, se pensasse em enviar juízes da península. á distáncia, o conceito de "lesa-majestade" deveria parecer bem menos premente que a simples conservação da ordem administrativa, política e militar. Assim, nas conspirações e revoltas, que não foram poucas, os governadores, como autoridades políticas e militares, julgavam sumariamente e executavam os réus, geralmente sem os requintes de crueldade recomendados para os crimes de lesa-majestade. O rei estava longe e, apesar da legislação, tornava-se difícil conceber que fosse diretamente lesado por ações acontecidas na America e originadas, geralmente, em conflitos meramente regionais. Se no Porto, a escassa distáncia de Lisboa, a agitação foi classificada como uma simples assoada, imagine-se o que poderia acontecer nas isoladas colonias, onde os conflitos de poder entre os diversos grupos e até mesmo entre as próprias autoridades eram habituais e onde o poder militar dos governadores se aproximava ao que exerceriamsobre uma praça de guerra.

Primeiros movimentos Brasileiros.

Em contraste com as colonias espanholas, o Brasil não contava com uma base indígena coesa. Nenhum grande império florescera antes da chegada dos portugueses e as dispersas comunidades foram prontamente dominadas ou destruidas, exceção feita das que se internaram nos territórios mais inacessíveis e, por isso mesmo, se encontravam marginadas de qualquer processo político. Quanto á população negra, muitos de cujos integrantes já conheceram, na Africa, estruturas políticas de alta complexidade, encontrava-se completamente desarraigada. Misturavam-se, nas senzalas, muçulmanos de um nível cultural relativamente elevado - os chamados "malus", que, já na época imperial, chegariam a protagonizar algum movimento digno de nota -, com membros de populações tribais, incapazes de qualquer projeto político de largo alcance. Os quilombos, expressão constante e onipresente da resistencia negra, obedeciam, apenas, a um propósito de autodefesa. Surgiam, geralmente, de maneira espontánea, pela reunião dos escravos foragidos, e procuravam, no máximo, reconstituir, em lugares afastados da cobiça dos brancos, os modos de vida e de organização que conheceram na Africa. Não consta - mesmo em experiencias bem sucedidas como a dos Palmares - que pretendessem impor qualquer tipo de estrutura á sociedade como um todo.

Limitados, também, foram os movimentos brancos do século XVII e da primeira metade do XVIII. Beckman, Filipe dos Santos e outros líderes visavam, apenas, a solução de conflitos regionais e conjunturais, sem contestar abertamente a autoridade da Coroa portuguesa. A rigor, o único movimento decididamente separatista foi o de Amador Bueno, em São Paulo, favorecido pela constituição plurinacional dessa colonia fronteiriça e pela transitória anarquia provocada pela Restauração ainda não consolidada. Prematuramente frustrada pela renuncia do líder escolhido, a tentativa revolucionária não chegou a motivar ações repressivas de grandes proporções. Rebelde e altiva por natureza, São Paulo continuaria a criar preocupação, limitando-se, porém, a conflitos setoriais: paulistas contra jesuítas, Pires contra Camargos, mineradores contra "emboabas". Todos esses conflitos acabariam controlados por soluções mais político-militares do que jurídicas.

Tal como os paulistas, os maranhenses ligados a Manuel Beckman começaram por expulsar os jesuítas. Exigiam, também, a extinção da Companhia de Jesus do Maranhão, criada na época da Restauração a instáncias do padre Antonio Vieira, que, desvirtuada nas suas finalidades, se convertera em um instrumento de exploração por parte da Coroa. Ela controlava o comércio, desvalorizando as exportações de açucar e majorando os preços do sal, da polvora e dos escravos africanos. Os jesuítas impediam a escravização dos índios, tornando ainda mais difícil obter mão de obra barata. O movimento foi sufocado, e Beckman condenado á morte pelo governador.

O mesmo aconteceu em Vila Rica, em 1720. Era intenso o desvio de ouro em pó e a Coroa, visando dificultar o contrabando, mandou estabelecer casas de fundição, que transformassem o ouro em barras, ainda perto das áreas de extração. Vários mineradores se insubordinaram e Filipe dos Santos, líder da rebelião, foi morto e esquartejado por ordem do Visconde de Assumar.

Inconfidencia Mineira

Novamente o ouro seria causa de ações revolucionárias em 1789. Esgotadas as reservas mais acessíveis e limitados os esforços por uma tecnologia ainda precária, a produção minguava constantemente. Enquanto ainda era intensa, a Coroa portuguesa vivia na opuláncia. O "quinto" (20% do ouro extraído) bastava para sustentar o reino todo. Em 1725, o ano de maior produção, vinte e cinco toneladas de ouro foram legalmente extraídas e comercializadas. Cinco delas foram, integralmente, para as arcas da Coroa.

Logicamente, esse mecanismo percentual só foi vantajoso enquanto a produção se manteve crescente. Decaindo, os impostos caíam com ela e a Coroa, já acostumada ao luxo e ao poder absoluto, resistia em reconhecer que o ouro estava acabando. Inicialmente, alegando que os mineradores fraudavam o recolhimento declarando menos ouro do que produziam, substituiu o percentual por um tributo fixo de 100 arrobas anuais (aproximadamente, uma tonelada e meia), mas chegou a hora em que a produção não dava nem mesmo para pagar o tributo, e a dívida resultante precisou ser "derramada" sobre o conjunto da população. Pela primeira vez, em 1762, o povo foi obrigado a completar com seus próprios recursos o imposto devido. Essa situação se repetiu em 1768, 1769 e 1770. Em 1788, o recolhimento se encontrava atrasado em 384 arrobas (quase seis toneladas de ouro). A produção total de um ano não alcançaria a colocá-lo em dia. Luis Antonio Furtado de Mendonça, Visconde de Barbacena, foi nomeado governador das Minas Gerais com a incumbencia especial de conduzir uma nova "derrama".

Mas o contexto internacional mudara consideravelmente. Em 1776, a Confederação dos Estados Americanos se declarou oficialmente independente. Embora essa independencia custasse a ser efetivamente consolidada, em 1783, a Inglaterra foi forçada a reconhecá-la. O Tratado de Versalhes, instrumento definitivo desse reconhecimento, transformou-se em claro precedente, a demonstrar que as colonias podiam ser livres se estivessem dispostas a sustentar a sua liberdade pela força das armas.

As idéias independentistas, canalizadas e estimuladas pela intelectualidade européia, acharam terreno fértil nos jovens latino-americanos que frequentavam as universidades. Em 1786, um deles, o carioca José Joaquim da Maia, estudante em Montpellier, chegou a entrevistar-se com Thomas Jefferson, então embaixador em Paris. Queria o apoio dos Estados Unidos para independizar o Brasil, mas não encontrou o que procurava. Jefferson, cauteloso, mostrou-se entusiasmado com a iniciativa mas limitou-se a dizer-lhe que alguns americanos poderiam colaborar a título pessoal.

Contudo, as idéias e o exemplo derivados do progresso da antiga colonia continuavam a estimular os brasileiros. Em 1788, cariocas e mineiros conspiravam ativamente, esperando uma situação favorável para iniciar a luta. José Alvares Maciel, recém-formado em Portugal e na Inglaterra, e então residente no Rio de Janeiro, e Joaquim José da Silva Xavier, alferes mineiro que fora lá tentar a sorte como médico e engenheiro, constituíram-se em nexo entre os dois movimentos.

Não era, propriamente, uma revolução, senão apenas um movimento independentista. Membros destacados da elite colonial, boa parte dos conspiradores visava, preferencialmente, aumentar suas margens de lucro por meio da liberação do comércio e da eliminação dos impostos recolhidos pela Coroa. Caso a forma de governo resultasse alterada, seria mais uma consequencia que um objetivo especéfico. A escravidão seria mantida, pois a sua abolição lesaria os interesses dos próprios conspiradores. Naturalmente, a busca da independencia tornava necessária a participação das outras capitanias. Esperava-se, uma vez deflagrado o processo, receber o apoio do Rio e de São Paulo, mas não existia uma rede organizada que assegurasse a resposta imediata das outras regiões.

O novo governador chegou em meados de 1788 e começou a preparar a "derrama". Apesar de não haver ainda anúncio oficial, a população percebia que alguma medida extrema deveria ser aplicada e os conspiradores acharam chegado o momento de intensificar a sua ação propagandistica. A inquietação deveria ser aproveitada para preparar o terreno e, logo que a derrama fosse anunciada, o movimento ganharia as ruas. Serro Frio, São João del Rei e outras cidades vizinhas estavam prontas para dar o seu apoio, e diversos fazendeiros entrariam com homens e munição, enquanto Maciel providenciava a instalação de uma fábrica de pólvora.

Mas um traidor entregou os planos. Não era estranho acontecer isso. Não dispondo, ainda, de uma polícia organizada nos moldes atuais, a Coroa estimulava e premiava as delações. Silvério dos Reis, minerador endividado com a Coroa, aderiu inicialmente ao levante mas, em 15 de março de 1789, preferiu relatar tudo ao governador, confiante, provavelmente, em resgatar a sua dívida e ainda levar algum lucro. A derrama foi suspensa e os conspiradores, desnorteados pela imprevista mudança, se deixaram prender quase sem resistencia.

Foram abertas duas devassas: uma em Minas e outra no Rio de Janeiro. 35 pessoas foram envolvidas. Entre elas, o ouvidor, Tomás Antonio Gonzaga, que, visando minimizar os indícios que lhe eram contrários, tentou dissimular, visitando o palácio do governador para cumprimentá-lo pela ação repressiva. Primava, ainda, o critério que exigia a confissão do réu, considerada "a rainha das provas". Conhecendo-o, os acusados persistiram tenazmente em negar as suas culpas, mas, um a um, acabaram cedendo aos interrogatórios. Apenas Gonzaga, escudado no seu conhecimento de leis e na auséncia de provas contra ele, negou até o fim.

Joaquim da Silva Xavier, chamado "o Tiradentes", também começou negando, mas, em 18 de janeiro de 1790 - era o quarto interrogatório que sofria - optou náo apenas por confessar mas também por assumir a culpa dos seus companheiros, dos quais se proclamou chefe e principal impulsionador, declarando té-los induzido apesar da sua vontade. Foi simples heroísmo individual ou respondia a uma manobra combinada? Apesar da incomunicabilidade que se procurava manter, não era raro os presos combinarem estratégias dentro das cadeias e, de fato, pouco depois, a chamada "conspiração dos alfaiates" iria envolver, documentadamente, um episódio dessas características. Seja como for, diversas testemunhas confirmam o altruísmo de Tiradentes, que manteria até o fim a decisão de assumir as culpas do grupo todo.

O processo se prolongou por tres anos. Um dos acusados, o poeta Cláudio Manoel da Costa, morreu na prisão, talvez assassinado, embora a versão oficial indicasse suicídio. Dos 34 restantes, 29 foram condenados. Cinco eram clérigos, e deveriam ser degradados antes de que tres deles fossem enforcados e, os dois restantes, degredados por vida. Seis dos civis, além de enforcados, teriam suas cabeças decepadas e expostas em frente de suas casas. Outros quatro seriam também enforcados, mas poupados dessa mutilação. Todos eles seriam castigados com o confisco dos bens e a infámia dos descendentes at a terceira geração, penas que também alcançariam, postmortem, ao falecido Cláudio Manuel. Os restantes, entre os quais se achava o ouvidor Gonzaga - ainda irredutível na sua negativa - foram condenados ao degredo perpétuo na Africa.

Tiradentes, auto-proclamado líder da revolta, foi condenado a que "com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde em o lugar mais publico dela será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregado em postes, pelo caminho de Minas, no Sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações at[e que o tempo também os consuma; declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Cámara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e, não sendo própria, será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve a memória do abominável réu". A sentença foi cumprida, mas a cabeça não chegou a ser consumida pelo tempo. Apenas uma semana depois, (outros relatos declaram ter desaparecido somente um dia depois)desapareceu misteriosamente do poste onde estava pregada. Já o padrão, erigido onde estivera a casa demolida, permaneceu no local até 1822. Declarada, finalmente, a independencia, foi arrancado, reivindicando-se publicamente a memória do herói.

Náo seria aplicado o mesmo rigor aos outros condenados á morte. Parcialmente exculpados pelas suas declarações e auxiliados por suas relações e o poder economico das suas famílias, todos eles obtiveram a comutação das suas penas e foram degredados.

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O trabalho de "cultivar" um árvore genalógica é um trabalho ardúo que exige dedicação porém a viagem ao tempo nos transporta por lugares nunca antes imaginado e muitas vezes descobrimos eventos sobre nossos antepassados que nos levam a ver a vida sobre outro prisma...

Foi com grande orgulho que descobri ser um descedente direto de João Francisco Junqueira e Elena Maria do Espirito Santo, esta descendente de umas das 3 ilhoas, Antonia da Graça procedente das Ilhas dos Açores.

Fiquei intrigado em descobrir aonde o sobrenome Junqueira deixou de acompanhar o meu sobrenome e foi em determinado ponto da arvore, tudo indicou que este fato teve um relacionamento com a Inconfidencia Mineira.

Sabemos que uma das 3 ilhoas, a Helena Maria de Jesus (1710-1771) casou-se com João Rezende da Costa (1699-1758) e seus filhos Cap. José de Rezende Costa (1728-1798) e Cap. Nunes de Rezende Costa (1731-1802) e neto Cap. José de Rezende Costa Filho (1765-1841) Fizeram parte da Inconfidencia Mineira e foram condenados ao degredo na Africa.

Sua filha Maria Helena de Jesus (1729-1812) casou-se com o Cap. José Antonio da Silva que entre outros filhos tiveram o Cap. Elias Antonio da Silva Rezende, casado com a Anna de Jesus de Goes e Lara, onde entre outros tiveram o filho Tenente Elias Antonio da Silva Rezende Filho, casado com Ana Josepha da Silva, agora nasceu em 1819 o Francisco de Paula Dias, que na realidade se deveria chamar Francisco Silva Rezende, mas que pelo que tudo indica ter a ver com a Inconfidencia Mineira por ter sido descendente do inconfidente Rezende que condenou até tres gerações da familia Resende pelo crime de "Lesa Magestade" como vimos no artigo acima.

Vimos que Francisco "Silva Rezende" de Paula Dias, casou-se com Ellena Francisca Andrade Junqueira, a bisneta da Matriarca Elena Maria do Espirito Santo, que por sua vez era uma descedente da ilhoa Antonia da Graça, que era irmã da Helena Maria de Jesus que era também conhecida como uma das 3 ilhoas, de onde originou a familia Rezende.

Estes dois ramos da familia originario da ilha do Fayal nos Açores, se encontravam em terras brasileiras depois de mais de seis gerações, porém, ao meu parecer, devido ao evento da Inconfidencia Mineira, Francisco "Silva Rezende" que nasceu em 1819, estaria ainda sob o influencia do castigo imposto a sua familia, sob o crime de "lesa-Magestade", o que levou estas familias a esconder os fatos de suas origens, tentando substituir seus sobrenomes por outros que não fossem Rezende por receio que isto causaria adversidades aos seus descendentes. Tudo indica que o sobrenome Junqueira também optou por ficar de fora.

Meu bisavö, Cel. Marcos "Junqueira Rezende" de Souza Dias, filho de Ellena e Francisco, assim como seus irmãos não ostentaram estes sobrenomes que para mim são motivo de orgulho e que hoje pretendo resgatar adotando para efeito de nossa arvore familiar o nome de Enio de Carvalho Dias, "Junqueira Rezende"

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Other:A Revolta dos escravos na Fazenda dos Junqueiras em 13 de Maio de 1833
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on May 22 2011 21:24

A REVOLTA DOS ESCRAVOS NA FAZENDA BELA CRUZ

Ao ler o relato abaixo que consta em um livro de autoria de Marcos Ferreira de Andrade , (Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense – UFF e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ – curso de História.) que considero uma passagem importante na história da familia.

"Negros rebeldes nas Minas Gerais: A revolta dos escravos de Carrancas (1833)

1. Introdução

O processo-crime que o leitor terá oportunidade de visualizar a seguir é uma sintese do processo original de mais de quatrocentas páginas, relata a história da maior rebelião escrava que ocorreu nas Minas Gerais, nas fazendas da família Junqueira, localizadas no curato de São Tomé das Letras, freguesia de Carrancas e comarca do Rio das Mortes.

O processo-crime foi instaurado a partir da denúncia de Gabriel Francisco Junqueira, futuro barão de Alfenas, em virtude das mortes de seus familiares, executadas pelos escravos.

Notadamente, nas partes definidas como auto de perguntas aos réus e inquirição das testemunhas, é possível ao historiador reconstituir aspectos do cotidiano da escravidão e a versão dos depoentes, na medida em que empreenda uma análise cuidadosa das diversas falas, buscando captar o que está contido nas entrelinhas dos depoimentos. Embora se trate de fontes oficiais, produzidas pelos agentes de repressão, o que de certa forma condiciona o tipo de informação disponível, é possível entrever na fala dos implicados aspectos e particularidades do seu cotidiano e das relações sociais estabelecidas. Como afirma João José Reis, "a história dos dominados vem à tona pela pena dos escrivães de polícia".

1. O cenário

O dia era 13 de maio de 1833. O sol ainda estava a pino e mais um dia na fazenda seguia seu ritmo intenso de trabalho, como de costume. Na parte da manhã, os escravos já tinham tirado o leite, alimentado os bois, as vacas e os cavalos e, do meio-dia para à tarde, estavam trabalhando na roça, cuidando das lavouras de milho, feijão, arroz, fumo, etc. Vindos de longe e de diferentes regiões da África, fizeram a dolorosa travessia nos navios negreiros e depois foram desembarcados no porto do Rio de Janeiro. Alguns deles tiveram como destino final às fazendas sul-mineiras, localizadas no curato de São Tomé das Letras, freguesia de Carrancas, comarca do Rio das Mortes. Aqui chegando, juntaram-se a outros, muitos deles descendentes de africanos, já nascidos no Brasil. A adaptação, a sobrevivência em terra estranha, o trabalho pesado, a perda dos laços familiares e culturais, exigiam força e determinação para reconstruir uma nova vida, dentro das condições possíveis impostas pelo cativeiro. Muitos conseguiram estabelecer novos laços familiares, preservar alguns aspectos de sua cultura, mesmo sob a vigília constante do feitor e do senhor. Outros viveram como lhes era possível naquelas condições, mas em suma, a grande maioria viveu uma vida escrava. Aquela tarde de 1833 seria fatídica e traçaria um novo rumo para muitos escravos das fazendas Campo Alegre e Bela Cruz. Estas faziam parte de uma grande extensão de terra concedida pela Coroa a João Francisco, português de São Simão da Junqueira. Este chegou na comarca do Rio das Mortes por volta de 1750 e deixou numerosa descendência, dando início à saga de uma grande família do sudeste mineiro, detentora de grandes propriedades e escravaria. Na terceira década do século XIX, as propriedades de seus filhos estavam entre as melhores e as mais bem equipadas, com grande número de cabeças de gado, cavalos e porcos e vendiam grande parte de sua produção na Corte. A importância sócio-econômica da família também se refletiu no campo da política, pois um de seus membros, Gabriel Francisco Junqueira, tornou-se deputado geral da província de Minas, por várias legislaturas seguidas ao longo da década de 30. Para os escravos parecia que as coisas não tinham mudado muito, ou ao contrário, o vaivém de tropas entre Minas e Rio de Janeiro e vice-versa e o desenvolvimento das propriedades, só fez aumentar o ritmo de trabalho. Era mais gado para cuidar, mais roças para plantar e os parcos recursos existentes para os escravos se tornavam mais disputados, pois o número de cativos também crescia, exigência quase que natural para tocar os negócios das fazendas. Alguns deles exerciam a atividade de tropeiro e estabeleciam contato freqüente com a Corte e ficavam sabendo, a seu modo, dos últimos acontecimentos e eram responsáveis não só pelo transporte de mercadorias, mas também de notícias. A importância das propriedades da família Junqueira podia ser percebida pelo número de escravos que nelas havia para tocar os negócios das fazendas. Quase sempre esse número ultrapassava a 30 cativos, coisa rara no cenário escravista mineiro naquela época, e em algumas delas este número podia chegar a mais de 50 ou até mesmo mais de 100 escravos.

2. Campo Alegre e Bella Cruz: O palco da tragédia

As fazendas Campo Alegre e Bella Cruz, que atualmente se localizam no município de Cruzília, serviram de palco ao trágico acontecimento que, no plano da história, representou um marco das insurreições escravas na província de Minas Gerais; no plano da memória dos contemporâneos, um massacre que muitos, se pudessem, apagariam da memória.

Já para os escravos, representou uma tentativa desesperada e arriscada na busca da liberdade, com conseqüências também funestas para muitos deles. A fazenda Campo Alegre pertencia ao deputado Gabriel Francisco Junqueira e em 1839 contava com 103 escravos que, certamente, cuidavam do gado, dos porcos e do plantio das roças. Tratava-se de uma grande unidade escravista que se desenvolveu em virtude das conexões mercantis com a Corte.

Em 1868, ano da morte do deputado, ainda era possível verificar os indícios de uma propriedade que deveria ter sido bastante expressiva na década de 30. Entre os bens que foram arrolados, a escravaria ainda era considerável, nada menos que 92 cativos. A produção agrícola era bastante diversificada destacando-se vários alqueires de feijão, milho e arroz plantados. Também havia um canavial e fumal. As benfeitorias da fazenda demonstravam que a produção agro-pastoril estava entre as atividades que fizeram a fortuna dos grandes fazendeiros da região. As atividades comerciais ligadas ao abastecimento podem ser inferidas a partir das benfeitorias localizadas nas fazendas Campo Alegre, Narciso e Boa Vista, onde havia referências à existência de casas para tropas e queijos, além de engenhos de serra, moinhos e monjolos, currais e casas de fumo.

A fazenda Bela Cruz compreendia uma vasta região composta de terras de cultura e campos de criar. Achava-se dividida e cercada por valos e muros de pedra. Entre as benfeitorias da fazenda constava uma "morada de casas de vivenda (...) com cozinha, paiol, moinho, senzalas tudo coberto de telha, monjolo, chiqueiro e rancho de carros tudo coberto de capim, como currais, e quintal cercados de muros de pedra, com arvoredos de espinhos e outros, e rego d’água (...)."

Naquele 13 de maio fatídico de 1833, tudo parecia transcorrer sem maiores sobressaltos nas fazendas da família Junqueira. A fazenda Campo Alegre estava sob a responsabilidade do filho do deputado, Gabriel Francisco de Andrade Junqueira, que, na ausência do pai, conduzia todos negócios da fazenda, além de supervisionar o trabalho dos escravos. Naquele dia, seu pai se encontrava na Corte, cuidando de suas funções no parlamento nacional. Antes do meio-dia, como de costume, foi até a roça fiscalizar o trabalho de seus escravos. Como sempre fazia, solicitou a um cativo da casa que arriasse o seu cavalo, montou-o e seguiu em direção à roça. Ao chegar na roça não percebeu nada de estranho e, como sempre, encontrou os escravos preparando a terra, cuidando das lavouras de milho e feijão. A tranqüilidade era apenas aparente. Sem condições de oferecer nenhuma reação, ainda montado em seu cavalo, Gabriel Francisco foi surpreendido por Ventura Mina, quando foi retirado à força de cima do cavalo, e juntamente com Julião e Domingos, deram-lhe várias porretadas na cabeça, levando-o à morte alguns instantes depois.

A partir do ocorrido, alguns dos escravos que estavam trabalhando na roça naquele momento engrossaram o grupo e seguiram em direção à sede da fazenda Campo Alegre, todos liderados por Ventura Mina. Além de Julião e Domingos, o grupo agora era bem maior e contava com a participação de Antônio Resende, João, cabunda, André, crioulo, e José, mina, entre outros. Só não atacaram a sede da fazenda porque um escravo, de nome Francisco, havia saído às pressas em direção à sede da fazenda, avisando aos outros familiares do deputado o que havia acontecido na roça. Os escravos chegaram até ao terreiro da fazenda e perceberam que ela estava guarnecida por dois capitães do mato. Então os insurgentes "arripiaram a carreira tomando a direção da fazenda Bela Cruz".

O momento mais dramático da revolta teve como cenário esta fazenda, onde os escravos assassinaram todos os brancos ali existentes.

Na parte do processo definida como auto de corpo de delito, o leitor irá encontrar uma descrição detalhada de como foram executadas as mortes. O relato foi elaborado com base no depoimento de três testemunhas, todos moradores no arraial de São Tomé das Letras, que viram o estado em que se encontravam os corpos.

Depois de deixarem a fazenda Campo Alegre, os escravos, liderados por Ventura Mina, seguiram em direção à fazenda Bela Cruz. Chegando à roça da dita fazenda, os insurgentes relataram aos outros escravos o que ocorrera em Campo Alegre, convocando-os a fazer o mesmo com os brancos da Bela Cruz. A partir daquele momento o grupo se ampliara, ultrapassando o número de 30 cativos, que logo se dirigiu à sede da dita fazenda.

A partir daquele momento, dois grupos se formaram: o primeiro, liderado por Ventura Mina, escravo da fazenda Campo Alegre, e segundo, por Joaquim Mina, escravo de José Francisco Junqueira, da fazenda Bela Cruz. Os escravos invadiram a casa grande de seus senhores, investindo diretamente contra José Francisco Junqueira, sua mulher, Antônia Maria de Jesus, que se recolheram rapidamente e se trancaram num quarto. Nem por isso escaparão da violência dos cativos. O escravo Antônio Retireiro buscou um machado na senzala e o "entregou a Manoel das Vacas o que ficou trabalhando para arrombar a porta, enquanto aquele voltou a senzala, e trouxe uma pistola carregada saltando o muro, e foi arrombar a outra porta de trás".

Depois de arrombarem a porta do quarto, Antônio Retireiro, com a arma que tinha na mão, disparou na face de seu senhor, ficando mortalmente ferido e "ainda teve que sofrer muitos maiores tormentos, com sua mulher, filha e neta, os quais foram todos massacrados com inaudita crueldade dentro daquele quarto a olho de machado, tendo parte nesta incrível matança todos os escravos vindos de Campo Alegre (...) e grande parte dos da Bela Cruz".

No auto de corpo de delito consta que a mulher de José Francisco Junqueira, além de apresentar ferimentos no rosto, couro cabeludo e grande efusão de sangue, cujas feridas foram feitas com instrumentos cortantes, também se encontrava bastante ensangüentada da cintura para baixo, causando certo constrangimento às testemunhas, impedindo que dessem prosseguimento ao exame.

Ana Cândida da Costa, viúva de Francisco José Junqueira e duas crianças seriam as próximas vítimas dos escravos. Esta foi morta a golpes de foice e cacetadas no quintal da dita fazenda pelos escravos Sebastião, Pedro Congo, Manoel Joaquim e Bernardo. O estado em que foi encontrada era lastimável, pois sua cabeça e rosto estavam irreconhecíveis e não se achava "unida ao corpo". Já o menino José "foi morto pelo crioulo Andre, e o mesmo Pedro Congo e Manoel Joaquim, a menina Antonia (...) foi morta pelo Manoel das Caldas, Sebastião e Bernardo, e a criança de peito (...) foi morta pelo crioulo Quintiliano que a mandou lançar pelo Euzébio no cubo do Moinho".

Os escravos utilizaram-se de instrumentos de trabalho -paus, foices e machados -e mesmo armas de fogo para cometer os ditos assassinatos nas referidas fazendas. A crueldade com que foram executadas as mortes, relatadas com detalhes no auto de corpo de delito indireto, certamente contribuiu para extremar o pavor em relação às rebeliões escravas, reforçar os mecanismos de controle e repressão e revelar o caráter aterrador da violência coletiva em si. Dona Emiliana Francisca Junqueira, por exemplo, "se achava com um grande golpe na cabeça pela parte de trás e logo acima na nuca que lhe tinha separado a maior parte do crânio, além de muitas outras feridas que tinha no rosto e que todas mostravam ser feitas com instrumentos cortantes.

Os escravos estavam determinados a exterminar todos os brancos daquela propriedade, tanto que parte dos escravos permaneceu na Bela Cruz e preparou uma emboscada para também assassinar o genro de José Francisco, Manoel José da Costa, mandando avisá-lo "do sucesso ali acontecido, e que todos tinham já partido para o Jardim e acudindo ele a casa sem refletir no engano assim que foi entrando pela porteira saíram os que estavam de emboscada, e o mataram com paus".

Alguns escravos ficaram atrás da senzala, outros, atrás de uma casa de carros e um terceiro grupo, encostados no muro pela parte de dentro. Assim que Manoel José da Costa atravessou a porteira estes "cairão sobre ele e o mataram a bordoadas, e por fim não ficando ainda bem morto deram lhe um tiro".

Liderados pelo escravo Ventura Mina, o outro grupo seguiu em direção à fazenda Bom Jardim, para ali fazerem o mesmo e darem prosseguimento à rebelião. Encontraram no caminho, um agregado da mesma fazenda que se dirigia à Bela Cruz em busca de mantimentos. Os escravos o assassinaram, "sendo o Ventura que lhe deu o primeiro golpe mortal com sua foice e depois o acabou de matar Manoel das Vacas com um porrete".

Ao chegarem nesta fazenda encontraram forte resistência por parte do proprietário e seus escravos, sendo o líder Ventura ferido gravemente. João Cândido da Costa Junqueira já havia se informado dos acontecimentos funestos de Campo Alegre e Bela Cruz e, rapidamente, armou seus escravos e os reuniu em uma sala e ficou a espera dos escravos insurgentes. Depois de um tempo, estes apareceram e depois de "repulsados com dois tiros, dispersaram".

As informações sobre os combates entre as forças repressoras e os escravos rebeldes são escassas e não mereceram muita atenção nos relatos feitos pelas autoridades da época. O presidente da Província, Manoel Ignácio de Melo e Souza, em correspondência dirigida ao ministro da Justiça, Honório Hermeto Carneiro, ao relatar sobre os acontecimentos de Carrancas, informava que também tinham sido assassinadas duas pessoas de cor preta, provavelmente escravos domésticos ou forros que desfrutavam de uma convivência mais próxima com seus senhores.

3. Repressão e pena de morte

Assim que proprietários e autoridades da região tomaram conhecimento dos acontecimentos, mobilizaram um grande esquema repressivo, convocando autoridades, proprietários e a Guarda Nacional para "bater em retirada" os escravos insurgentes. Ventura Mina, João Inácio, Firmino, Matias e Antonio Cigano foram mortos no confronto.

O juiz de paz de Baependi, Antônio Gomes Nogueira Freire, relatou as medidas preventivas tomadas, como por exemplo, o reforço da vigilância em outras propriedades, principalmente naquelas onde se concentrava um grande número de escravos, como era o caso das fazendas da Traituba, Santo Inácio, Favacho, Bom Jardim das Penhas e do próprio curato de São Tomé das Letras. Como a rebelião ocorreu entre os limites da freguesia de Carrancas e do termo de Baependi, a atuação do mesmo juiz foi providente no sentido de restabelecer a tranqüilidade e a ordem, uma vez que o curato de São Tomé estava sem juiz de paz, que foi assassinado pelos rebeldes. O clima de terror atingiu toda a vizinhança. Um acontecimento dessa proporção, seguramente, mereceria empenho das autoridades e proprietários da região, no sentido de evitar uma onda sucessiva de levantes, justamente numa localidade onde havia uma grande concentração de escravos. Como já mencionei anteriormente, as propriedades da família Junqueira na região eram formadas por escravarias acima de 30 cativos, em alguns casos chegando a atingir um número expressivo de 163 escravos.

Como se tratava de uma região estratégica, de grande importância econômica, próxima das estradas que interligavam as províncias de São Paulo e Rio de Janeiro a Minas Gerais, os acontecimentos da freguesia de Carrancas ganharam repercussão em algumas vilas e distritos limítrofes, pertencentes a estas províncias. No dia 15 de maio de 1833, o juiz de paz de Pouso Alto colocou a câmara municipal de Rezende a par dos acontecimentos de Carrancas, pois os escravos planejavam atacar outras fazendas, como a do Favacho e Traituba e depois se dirigir a Baependi e outros lugares. O referido juiz lembrou ainda o risco que poderia representar a dispersão dos insurgentes e a necessidade de se tomar medidas preventivas no sentido de evitar novos levantes, já que a vila de Rezende era limítrofe à freguesia .

O referido Juiz recomendou ainda aos vereadores da vila de Rezende que fossem transmitidas essas informações à câmara de Areias e a outras que julgasse conveniente. Algumas regiões do vale do Paraíba paulista, como Areias e Bananal, foram logo informadas da insurreição em Minas Gerais. Como eram regiões com grande concentração de escravos em função da expansão da cultura cafeeira, os vereadores de Bananal foram imediatamente convocados para uma sessão extraordinária e secreta, no dia 21 de maio, onde ficou acertada uma série de medidas para que se evitassem maiores repercussões dos acontecimentos de Minas na região. Por exemplo, no centro da vila se colocaria uma força de quarenta soldados, parte da cavalaria e parte da infantaria, devidamente munida de pólvora e bala.

Medidas semelhantes foram tomadas pela câmara de Areias, depois de comunicada sobre os acontecimentos, pelas câmaras das vilas de Lorena e Rezende.

Se o boato de insurreição já constituía motivo suficiente para autoridades e proprietários aumentarem suas apreensões e reforçarem os mecanismos de controle, isto se tornava mais veemente quando se tratava de um levante de grandes proporções, como o de Carrancas. O risco iminente de uma onda sucessiva de levantes fez com que o poder público interferisse no domínio privado do senhor, determinando maior cuidado e vigilância com seus escravos. Os fazendeiros deveriam guardar com segurança as ferramentas agrícolas, tais como foices, machados e enxadas, que poderiam se tornar armas perigosas nas mãos de escravos rebeldes, com conseqüências funestas para proprietários, seus familiares e prepostos. O caso de Carrancas já era exemplo suficiente para demonstrar os riscos que enfrentariam os senhores num possível confronto com escravos. Os escravos rebeldes de Carrancas foram exemplarmente punidos, sendo que 16 deles foram condenado à pena de morte por enforcamento e executados em praça pública, em dias alternados e com cortejo da Irmandade da Misericórdia, na vila de São João del Rei, na antiga rua da Forca. Alguns escravos foram condenados como cabeças de insurreição, de acordo com o artigo 113 do Código Criminal, que estabelecia a pena capital para crimes dessa natureza. Outros foram condenados pelo crime de homicídio qualificado, artigo 192 do mesmo código. Trata-se de uma das maiores condenações coletivas à pena de morte aplicada a escravos na história do Brasil Império. Embora na Revolta dos Malês houvesse um número semelhante de condenados à pena máxima, somente quatro escravos foram fuzilados, o restante teve a sentença convertida para açoites ou galés em segundo julgamento.

Somente Antônio Resende, escravo do deputado Gabriel Francisco Junqueira, conseguiu impetrar uma petição de graça ao Imperador e teve a vida poupada, pois servira de algoz de seus companheiros. Primeiramente, foi preso na cadeia de Ouro Preto, de onde fugiu em 1835. Tinha "estatura ordinária, cheio de corpo, beiços grossos, ponta de buço, rosto liso, chato..."

Em julho de 1848, se encontrava preso na cadeia de São João del Rei, e solicitava a transferência para a Santa Casa de Misericórdia para tratar de inflamações e dores no peito, sendo identificado na petição como Antônio Resende, o carrasco.

Parece que a função de algoz lhe serviu de alcunha para o resto de sua vida. Depois desta data não consegui localizar mais nenhuma informação sobre ele. O mais provável é que tenha morrido na cadeia de São João del Rei. Os acontecimentos de Carrancas atemorizaram não só os proprietários mineiros, como também as regiões limítrofes à comarca do Rio das Mortes, como já foi demonstrado, e até mesmo o governo da Regência. Dentre os quatro projetos enviados à Câmara dos Deputados no dia 10 de junho de 1833, um era referente ao julgamento dos crimes de escravos. Segundo João Luiz de Araújo Ribeiro, esse projeto tem ligação direta com os acontecimentos de Carrancas e foi amplamente discutido na câmara e no senado e antecipava em muitos pontos o texto da lei nefanda de 10 de junho de 1835 que estabeleceu a pena de morte para escravos envolvidos no assassinato de seus senhores, familiares e prepostos. No projeto de 1833 previa-se a supressão do júri para julgamento de crimes dessa natureza, sendo substituído por uma junta de juízes de paz da região aonde ocorresse o crime.

4. "Nós somos os caramurus, vamos arrasar tudo": A expectativa da liberdade

Depois de iniciado o processo, as autoridades policiais e judiciárias convocaram 51 pessoas para depor como testemunhas, com objetivo de se distinguir os cabeças da insurreição, o plano dos insurgentes e se houve participação de brancos no agenciamento da revolta. O grau de organização e planejamento da revolta é revelado pelo sucesso do movimento e a articulação entre os escravos de várias fazendas da família Junqueira. Entre os escravos acusados como cabeças de insurreição destacam-se os seguintes: Ventura Mina (fazenda Campo Alegre), Joaquim Mina (fazenda Bela Cruz), Jerônimo e Roque Crioulos (fazenda da Prata) e Damião (Campo Belo). Este último se enforcara quando soube que fora denunciado.

Ventura Mina era escravo do deputado Gabriel Francisco Junqueira e foi apontado como o líder e o principal articulador da revolta, realizando contatos com escravos das diversas fazendas da região. Na noite antecedente à revolta, este foi à Bela Cruz e "estivera na senzala de Joaquim Mina, onde mandara chamar alguns outros escravos da mesma fazenda, e aí trataram de romper insurreição no outro dia (...)."

Segundo José Mina, há mais de dois anos o escravo Ventura "tratava desta insurreição e lhe comunicara isto mesmo assim que seu senhor [o] comprou e o trouxe do Rio de Janeiro para esta fazenda (...)."

Apesar de ter sido morto no confronto, seu espírito de liderança é destacado tanto pelos escravos, quanto pelas testemunhas e autoridades da época. As informações que dispomos sobre ele são escassas e muitas vezes vêm filtradas pela pena das autoridades judiciárias, o que de forma alguma as invalida. O que se pode depreender dos autos é que Ventura era um escravo de gênio empreendedor e sagaz, era amado, obedecido e respeitado por todos. Essa versão é relatada com certa recorrência em várias partes do processo."Ventura além de ter um gênio fogoso e ardente era empreendedor, ativo, laborioso, tinha uma grande influência sobre os réus e estranhos de quem era amado, respeitado e obedecido".

A partir das informações apontadas nos autos, poderíamos especular que Ventura talvez teria sido um rei Mina com grande ascendência sobre os outros escravos.

O Juiz de Paz de Baependi se referiu ao escravo Ventura, como aquele "que se havia coroado Rei" dos escravos. Os escravos Roque e Jerônimo, ambos crioulos e da fazenda da Prata, também foram acusados de serem cabeças da insurreição. Como exerciam a atividade de tropeiro e faziam freqüentes viagens ao Rio de Janeiro, o que certamente lhes facultava maiores facilidades em captar o clima de conturbação política da Regência, ficaram encarregados de providenciar armamentos para garantir o sucesso da revolta, acusação confirmada pelos próprios réus. Segundo os autos, a intenção dos escravos era de assassinar todos os brancos da freguesia de Carrancas e apossar de suas propriedades. Para isso, primeiramente seriam invadidas as fazendas Campo Alegre, Bela Cruz, Jardim, Campo Belo, Campo Formoso e Carneiros. Depois de executados os assassinatos nas ditas propriedades, estes voltariam reunidos e fariam o mesmo nas fazendas Santo Inácio, Favacho, Traituba e Penhas. A partir daí os escravos se dividiriam "em duas porções dos quais uma seguiria para o Espírito Santo a extinguirem a família dos Andrades e outra para Carrancas a extinguirem as famílias dos Machados e mais Fazendeiros desse lado..."

Evidentemente que se trata aqui de uma versão oficial, corroborada por autoridades judiciárias, proprietários e testemunhas e que revela a histeria dos brancos diante da rebeldia e organização dos escravos. Se os boatos de levantes já colocavam a elite senhorial em estado de alerta, não seria muito difícil de imaginar o desespero desta quando as revoltas ocorressem de fato. Embora se perceba um certo exagero na fala das autoridades e proprietários de Carrancas, o nível de articulação entre escravos de diversas fazendas foi surpreendente e se a rebelião não fosse imediatamente contida, os temores da elite poderiam se confirmar. A percepção que os escravos tinham do contexto dos acontecimentos e suas justificativas para a participação ou não da rebelião podem ser captadas nos seus respectivos depoimentos. Julião Congo, por exemplo, se ocupava de várias funções na fazenda Campo Alegre, sendo utilizado no serviço da roça, em tirar leite e capinar. Em seu interrogatório, quando lhe foi perguntado se tinha algo que produzir em sua defesa, se referiu aos "maus tratos" que sofria de seu senhor moço, o Juiz de Paz de São Tomé das Letras, Gabriel Francisco de Andrade Junqueira. "Respondeu que seu senhor o tratava de mandrião, não estava contente com o seu serviço, dava-lhe pancadas, ainda mesmo quando estava doente".

Independente da veracidade dessas acusações, o que está contido nas entrelinhas da fala de Julião é a apresentação de uma justificativa clássica para se rebelar contra seu senhor. O fato de ser castigado, mesmo quando estava doente, poderia servir de argumento que justificasse sua revolta e participação no assassinato de seu senhor, ou ainda, que tal argumento pudesse contribuir para a diminuição de sua pena, embora isso não tenha ocorrido. Manoel Joaquim, natural de Angola, apresentou como justificativa para a sua participação na insurreição o fato de ter sido ameaçado pelos outros companheiros. "Respondeu que havia acompanhado os outros mais velhos que os ameaçavam de tirar-lhes a cabeça se assim não fizesse (...)."

Já Julião crioulo, escravo natural de Campo Alegre, se refere explicitamente à expectativa de ficar livre, respondendo que participou da insurreição porque "tinha sido mandado e tivera esperanças de ficar forro".

Os outros, quando foram convocados a dizer algo em sua defesa, nada responderam, ou, possivelmente, suas respostas não foram registradas nos autos. O silêncio da grande maioria dos escravos também tem algo a nos dizer. Em crimes dessa natureza, a condução do processo era realizada de forma a limitar todos os mecanismos legais aos quais os escravos poderiam lançar mão para apresentarem sua defesa.

Era necessário punir, e de modo exemplar. Quando as testemunhas foram inquiridas sobre a possível participação de pessoas livres no agenciamento dos escravos à insurreição, Francisco Silvério Teixeira aparece como o principal suspeito e responsável pelos acontecimentos desastrosos de Campo Alegre e Bela Cruz. Os escravos, ao serem inquiridos sobre a mesma questão, se remetem ao contato que Francisco Silvério teve com o líder Ventura. Estes teriam ouvido do falecido Ventura que "Francisco Silvério era a causa disso dizendo que no Ouro Preto haviam muitas pessoas voltadas com a boca para cá afim de matarem todos os brancos e ficarem os negros forros".

Em outro depoimento, o escravo José Mina afirma que tinha também ouvido de Ventura que Francisco Silvério era o causador de tudo aquilo, informando-lhes que "os brancos no Ouro Preto estavam se guerreando entre si, matando aos outros, e que era boa ocasião deles se levantarem e ficarem forros (livres) matando a seus senhores".

O escravo Jerônimo crioulo também acusa Francisco Silvério de encomendá-lo, no Natal de 1832, "uma porção de armas que pudesse, e que as deixasse ficar no Rio em Casa de alguma pessoa conhecida". Segundo Jerônimo, apesar de ter prometido trazer as armas, não o fizera por desconfiar de quem as encomendava.

A acusação de agenciador da insurreição foi reforçada pelo depoimento de todas as testemunhas e confirmada no libelo-crime acusatório. Francisco Silvério Teixeira era fazendeiro e negociante e possuía 19 escravos, em 1834.

Era natural da cidade de Ouro Preto e residia em sua propriedade denominada Rio do Peixe, localizada no distrito dos Três Corações de Jesus, Maria e José do Rio Verde,pertencente ao termo da Campanha, onde se dedicava à agricultura e à criação de gado. Segundo o Juiz de Fora da vila de Campanha, ao atestar a favor do réu, Francisco Silvério era um dos abastados "lavradores de cultura e criação de gados, na sua fazenda do Rio do Peixe, com boa escravatura, e numerosa família de mulher e filhos (...)."

A maioria das testemunhas o acusou de manter contato com os escravos insurgentes, principalmente com o líder Ventura, e de estar próximo ao local, momentos antes do início da revolta. Foi acusado de ser agente e incitador dos escravos, além da suspeita de promover a rebelião com a finalidade de desviar a marcha que iria combater os sediciosos em Ouro Preto. "Francisco Silvério se encontrou tanto interessado na Sedição de 22 de março do Ouro Preto, que dissuadiu aos guardas nacionais para não marcharem contra os sediciosos, e ele mesmo nessa ocasião girava continuamente do Ouro Preto para as partes de Carrancas e vice-versa (...)."

A província de Minas Gerais, no período Regencial, foi palco de disputas entre liberais e restauradores, também alcunhados de caramurus. O movimento mais conhecido foi a Sedição Militar de 1833, também alcunhada como a Revolta do Ano da Fumaça, quando restauradores tomaram o poder na capital da Província, entre os meses de abril e maio, sendo o governo legal foi transferido para a vila de São João del Rei. Foi nesse contexto de divergências e disputas políticas entre liberais e restauradores que ocorreu a revolta de Carrancas. Segundo consta dos autos, Francisco Silvério teria orientado os escravos para se rebelarem, utilizando como artifício para seduzi-los, falsas notícias, como por exemplo, a de que os caramurus já haviam libertados os escravos de Ouro Preto e que era o momento de em Carrancas se fazer o mesmo. Que interesses moviam Francisco Silvério ao incitar os escravos a se insurgirem contra seus senhores? Esta não seria uma estratégia muito arriscada também para ele, que também possuía um número razoável de escravos? E para os escravos o que representou lançar mão de uma estratégia também não menos arriscada na busca da liberdade? Se tomarmos como procedente a versão de Gabriel Francisco Junqueira, Francisco Silvério teria promovido a insurreição com objetivo de dificultar a formação da milícia que iria combater os sediciosos de Ouro Preto. Esta acusação parece ser bastante procedente, pois a insurreição estava programada para acontecer no dia 26 de maio, no domingo da festa do Espírito Santo e teria sido antecipada em virtude de várias vilas terem aderido ao governo provisório, sediado em São João del Rei, acenando com a vitória dos moderados. Seria Francisco Silvério um partidário da facção restauradora e que se utilizou dos escravos a reboque de seus interesses políticos?

Este constitui um caminho bastante atraente para compreender o seu envolvimento no incitamento dos escravos à insurreição. A revolta ocorreu em algumas propriedades da família Junqueira, uma família que conquistou grande projeção política, social e econômica na região centro-sul, extrapolando os limites da província.

Dada a importância desta família e a extensão de seus negócios, de suas relações sociais e políticas estabelecidas na região, certamente possuíam alguns "inimigos" políticos. Não se pode esquecer que, em 1831, Gabriel Francisco Junqueira derrotou o candidato do Imperador, o Ministro Silva Maia.

Certamente não foi uma derrota muito bem digerida para os partidários da facção restauradora, que voltariam à cena política dois anos mais tarde. Algumas testemunhas inquiridas no processo confirmam tais impressões. José Rodrigues Carneiro, homem branco, natural da freguesia de Aiuruoca e morador no termo de Lavras do Funil, quando esteve na vila de São João del-Rei, em abril de 1831, e estando "sentado no Balcão da Loja de Manoel José da Costa Machado, passava nessa ocasião pela rua Gabriel Francisco Junqueira, então disse o Costa Machado para ele testemunha ali vai o seu Deputado de merda", mostrando descontentamento por ele ter sido eleito e derrotado o Ministro Maia. Naquela mesma noite, estando a testemunha conversando sobre "negócios políticos e divisões de partido" o mesmo Costa Machado dissera que, " para as coisas tomarem jeito, e ficarem em sossego era necessário tirar-se um par de cabeças na freguesia de Carrancas".

Ainda segundo o depoimento de outra testemunha, Ana Matildes de Nazareth, mulher branca, viúva e natural da freguesia de Carrancas, "havia pessoas que apostavam contos de reis, em como o deputado Gabriel Francisco Junqueira, seria morto em Caminho, na ida [ou] na volta da Sessão presente (...)."

Em função dessas disputas alguns oponentes da família Junqueira poderiam muito bem utilizar-se dos escravos para por fim ao domínio da família na região. A análise ficaria empobrecida se somente esse aspecto fosse considerado. Ainda que "orientados" por um branco, o que representou para esses escravos lançar mão de recurso tão arriscado para se conseguir a liberdade, como é o caso de uma insurreição? É impossível conceber que os escravos fossem simplesmente instrumentalizados de acordo com os interesses de Francisco Silvério ou de quem quer que seja. Ainda que o processo criminal seja um documento oficial, normativo e busque apurar determinada verdade sobre um crime, é possível depreender dos autos a suposta "fala" dos implicados, ou ainda, a percepção que os escravos tinham dos conflitos políticos de seu tempo. Nesse sentido, algumas partes do processo como no depoimento das testemunhas e dos próprios réus são reveladores de como essa percepção foi estabelecida. Muitas vezes, os boatos desempenharam um papel catalisador no surgimento de insurreições. Em 1831, o Vigário Joaquim José Lobo tentou persuadir os escravos espalhando o boato de que estavam forros e que "o ex Imperador os queria forrar, e que os seus senhores é que se opunham a isso, e que por esse motivo é que o lançaram fora do Brasil".

A menor alusão à expectativa de liberdade já constituía motivo suficiente para que os escravos ensaiassem suas tentativas de revoltas. Certamente os escravos possuíam seus próprios meios de ficar a par das dissensões políticas que assolavam a província de Minas Gerais naquele tempo. Não era preciso ir muito longe, pois ali mesmo na freguesia de Carrancas, entre as disputas políticas travadas por famílias influentes e detentoras de consideráveis fortunas e escravarias, estavam os cativos fazendo as leituras possíveis e as alianças possíveis para atingirem o seu objetivo maior: a conquista da liberdade. A percepção que os escravos tinham dos conflitos entre brancos e como se dava essa apropriação pode ser captada através de um depoimento muito interessante da testemunha Maria Joaquina do Espírito Santo, mulher parda, agregada e moradora na fazenda Bom Jardim. O grupo de escravos, liderados por Ventura, que se dirigiu para a fazenda do Jardim, na noite do dia treze, passou pela casa da testemunha. Depois de ameaça-la, exigiu que lhes entregassem logo as espingardas que havia na casa. Um dos escravos que fazia parte do grupo, o preto Antônio Benguela, "pulava no seu terreiro e batia nos peitos dizendo para ela e seu companheiro vocês não costumam a falar nos caramurus, nós somos os Caramurús, vamos arrasar tudo...".

5. Considerações finais

Espero ter conseguido despertar o interesse do leitor para perceber que a cópia do documento que ora lhe é apresentado, registra um dos capítulos mais expressivos da história dos negros em Minas Gerais, no tempo da Regência. Ainda que a Revolta de Carrancas ficasse restrita às propriedades da família Junqueira, não deixaria de ser uma história de grande importância e mereceria ser resgatada dos papéis velhos que, muitas vezes, ficam escondidos em nossos arquivos à espera de historiadores curiosos para trazer das sombras do passado, personagens e histórias esquecidas. Mas essa história é bem mais que isso. Trata-se da maior rebelião escrava da província de Minas Gerais e que, no contexto das rebeliões regenciais, causou grande temor no seio da elite do sudeste escravista do Império do Brasil. Dentre inúmeros aspectos abordados nesta breve apresentação, o que mais chama a atenção na Revolta de Carrancas foi a organização e sucesso do levante enquanto não houve repressão, além do número de escravos condenados à pena de morte, superando os da Revolta do Malês, e a composição étnica variada dos participantes. A revolta contou com a participação de cativos de origens diversas: crioulos, minas, angolas, benguelas, congos, cassanges e moçambiques. Dos 31 escravos indiciados no processo, nove (29%) eram crioulos e 17 (54,8%) oriundos da África Central e dois minas. Constata-se a presença significativa de escravos falantes de bantu, considerados pela historiografia como mais acomodados e menos afeitos a revoltas, diferente dos "minas" e "nagôs". A diversidade étnica e cultural dos escravos da freguesia de Carrancas não impediu que eles se associassem, pelo contrário, revela a superação de tais diferenças para que o projeto de liberdade fosse alcançado, visto que escravos de diversas origens étnicas participaram dolevante

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Family stories:José de Rezende Costa , Pai e José de Rezende Costa, Filho - Inconfidencia Mineira.
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on May 18 2011 22:42

Estas duas folhas da nossa árvore participaram da Inconfidencia Mineira , juntamente com o Tiradentes. Foram condenados ao degredo na Africa, veja artigo abaixo, publicado recentemente:

História

Cientistas identificam ossos de três inconfidentes mineiros

José de Rezende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias Mota atuaram ao lado de Tiradentes no século XVIII. Restos serão depositados em Ouro Preto

A uma semana do feriado que homenageia Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram) anunciaram a identificação das ossadas de três outros mineiros que atuaram no mesmo movimento. Eles morreram há cerca de 200 anos e foram encontrados nos anos 30, na África. Feito o reconhecimento, os restos mortais serão depositados no Panteão do Museu da Inconfidência Mineira, em Ouro Preto, no Dia de Tiradentes, 21 de abril, em cerimônia que contará com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Unicamp

Crânio do inconfidente José Resende da Costa, morto aos 70 anos, no século XVIII

Crânio do inconfidente José Rezende da Costa, morto aos 70 anos, no século XVIII

Os corpos de José de Rezende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias Mota estavam enterrados desde o século XVIII em Cacheu, na Guiné-Bissau. Em 1932, o governo do Brasil resolveu reunir os corpos de todos os inconfidentes espalhados pelo continente africano. Graças a lápides nomeadas e registros concretos, 16 deles foram facilmente identificados e sepultados no panteão do museu mineiro.

Como os ossos dos outros três inconfidentes estavam muito fragmentados, não foi possível identificá-los à época. Somente nos anos 80 o diretor do museu mineiro, Rui Mourão, soube da história e, em 1993, conseguiu transferir as ossadas, que estavam no arquivo do Itamaraty, para a Unicamp. O professor Eduardo Daruge, doutor em odontologia legal, foi incumbido de analisar os restos mortais dos três homens.

Sem auxílio financeiro, a equipe de Daruge acabou levando sete anos para chegar à identidade dos inconfidentes e à idade com que morreram: José de Resende Costa tinha por volta de 70 anos, Domingos Vidal Barbosa, 32, e João Dias Mota, 50 anos. A conclusão foi tirada após pesquisas sobre a vida deles e análise da densidade dos ossos. De acordo com o professor, parte dos custos com a pesquisa foi tirada de seu próprio bolso.

Unicamp

Reconstituição do rosto de José Resende da Costa (direita) mostra semelhanças com seu trineto, que viveu em Minas Gerais há poucos anos

Reconstituição do rosto de José Rezende da Costa (direita) mostra semelhanças com seu trineto, que viveu em Minas Gerais há poucos anos

Os inconfidentes - José de Rezende Costa era capitão do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João. Foi preso em 1789 e degredado para a África, aonde faleceu em 1798 junto com o irmão Cap. Antonio Nunes de Rezende Costa, que também faleceu na Africa em 1802, e o filho que conseguiu voltar para o Brasil anos mais tarde. Seu crânio era o único em condições de ser recomposto e seu rosto foi reconstituído. Para isso, os pesquisadores enviaram imagens de uma tomografia computadorizada à Universidade de Londres. Na face redesenhada, Rezende da Costa aparenta ter 45 anos. Os traços assemelham-se ao de um trineto do inconfidente que vivia na cidade que leva o nome de Rezende da Costa, em Minas Gerais.

João Dias da Mota também foi capitão do Regimento da Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João e era amigo de Tiradentes. Morreu em 1793, de uma epidemia que assolou a região de Cacheu, aonde havia chegado nove meses antes. Domingos Vidal de Barbosa fazia parte da elite mineira, estudou Medicina na França e pediu apoio à Inconfidência pessoalmente ao ex-presidente americano Thomas Jefferson, quando ainda era embaixador.

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Genealogy:As tres ilhoas e a Ilha dos Açores
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Apr 7 2011 20:50

Estudando a genealogia da familia Junqueira, várias menções são feitas sobre as 3 ilhoas, procedentes das ilhas dos Açores...

O arquipélago dos Açores, formado por ilhas vulcânicas da cadeia meso atlântica, situadas a 760 milhas a oeste de Lisboa, foi descoberto em 1427 por Diogo de Silves, da casa do infante Dom Henrique. Constitui-se de nove ilhas: Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Corvo, Flores e Faial. Inicialmente desabitado, seu povoamento começou por volta de 1439 quando Gonçalo Velho Cabral para lá levou famílias alentejanas e algarvias e mais tarde, por influência da infanta D. Isabel, condessa de Flandres e duquesa de Borgonha, recebeu famílias flamengas. As ilhas estiveram, inicialmente, na dependência do Grão Mestre da Ordem de Cristo, sendo o sistema de colonização adotado o de capitânias hereditárias, com distribuição de sesmarias aos colonos. Esse sistema foi posteriormente transplantado para o Brasil por D. João III. O arquipélago passou ao domínio do Estado português com D. Manuel I.

Desde o início de 1720, a imigração açoriana se fez notar no Brasil meridional, principalmente nas Províncias de Minas Gerais e São Paulo. A densidade populacional e os constantes tremores de terra, erupções vulcânicas e as crises alimentares com a super-população das ilhas que formam o Arquipélago dos Açores, impulsionou os habitantes a solicitar à Coroa portuguesa autorização para a vinda para o Brasil.

Diante da possibilidade de povoar a nova colônia (onde a maioria dos habitantes era de aventureiros e homens solteiros que vieram em busca das minas de ouro e diamantes), com casais que iam fixar-se na terra, o Governo português autorizou a emigração.

As famílias foram chegando e estabeleceram-se principalmente na Província de São Paulo, que compreendia a Ilha de Santa Catarina (depois Capitania de Santa Catarina, hoje Estado de Santa Catarina), o Rio Grande de São Pedro (hoje, Estado do Rio Grande do Sul), e no sul da Província de Minas Gerais.

Vieram das ilhas do Pico, Santa Maria, Terceira, Faial, Flores, Graciosa, São Miguel, e muitos da Ilha da Madeira.

Dificilmente algum habitante dessa parte do Brasil deixa de ter antepassados com os nomes Goularte, Duarte, Garcia, Faria, Fagundes, Leal, Silveira, Rezende, Correia, Dias e assim por diante.

Aqui foram desbravadores, povoadores e fundadores de cidades.

A grande maioria dedicou-se à cultura de subsistência (milho, feijão, algodão, cana de açúcar) e criação de gado e tropa cavalar, numa época em que a fome era uma constante nas minas de ouro.

Deixaram suas marcas e seus costumes por onde passaram. Ainda hoje, acontecem festas populares e religiosas com o sabor dos Açores e o famoso costume de tomar água com açúcar para acalmar os nervos foi trazido pelos açorianos para o Brasil. As mulheres ainda tecem as rendas e bordam, como suas antepassadas. A hospitalidade açoriana é notada, principalmente em Minas Gerais, com a farta mesa de pães, biscoitos, queijos e doces para os que chegam.

Ainda em Minas Gerais, encontramos três irmãs que se tornaram figuras lendárias: Antonia da Graça, Júlia Maria da Caridade e Helena Maria de Jesus, que aqui ficaram conhecidas como “AS TRÊS ILHOAS”. Eram filhas de Manuel Gonçalves Correa e de Maria Nunes, vieram da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na Ilha do Faial – Açores, e chegaram no ano de 1723. Antonia da Graça veio casada com Manuel Gonçalves da Fonseca e já com duas filhas: Maria Teresa de Jesus e Catarina de São José, Maria Teresa casou-se com Ignacio Franco e sua filha Helena Maria do Espirito Santo, casada com João Francisco Junqueira são os Patriarcas e marco zero da familia Junqueira no Brasil;

Júlia e Helena casaram-se aqui, com açorianos. A primeira com seu conterrâneo Diogo Garcia, e a segunda com João de Rezende Costa. Seus descendentes espalharam-se pelos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná, enfim por quase todo o centro-oeste brasileiro.

O berço da família Rezende, no Brasil, é a fazenda do Engenho Velho de Cataguás, no actual município de Lagoâ Dourada (Minas).

Foi ali, naquele velho solar, que se estabeleceram na segunda decada do século XVIII João de Rezende Costa e sua Mulher D. Helena Maria de Jesus, encontraram-se em Prados, Minas Gerais, Brasil e casaram-se em 03 de Outubro de 1726. Trata-se de um dos importantes grupos mineiros, de abastados proprietários rurais, membros da chamada «aristocracia rural cafeeira», e atuantes na história política do país.

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Other:Fundacao da cidade de Pocos de Caldas, MG
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Nov 18 2010 13:22

A história de Poços de Caldas tem seu início na descoberta das suas fontes e nascentes de água a 45 graus centígrados na área que passou a ser conhecida como Campos de Caldas, no final do século XVIII, por Bandeirantes que vinham em busca de ouro e pedras preciosas.

Como não fossem ali encontrados ouro nem pedras preciosas, tal parte do território ficou desabitada até a época da decadência da mineração de ouro, atividade que foi sendo substituída pela agropastoril. No começo do século XIX, a fama das virtudes terapêuticas das caldas foi superando o medo provocado pelas crendices.

A fama do poder curativo das águas se espalhou rapidamente, fazendo com que um grande número de pessoas, na maioria doentes, enfrentassem diversas dificuldades para chegar às fontes devido a inexistência de um povoado e as dificuldades de acesso ao local.

Desde o início do século XIX, o local das águas e região adjacente estava sob administração de Caldas (nome que vem do latim "calidu" que significa "águas quentes").

A fama das águas continuava crescendo, mas nada ainda havia sido feito para receber os visitantes.

Para usufruir dos banhos sulfurosos, um dos freqüentadores das fontes foi o fazendeiro José Bernardes da Costa Junqueira que, encontrando excelentes pastagens, acabou por requerer do Governo Imperial uma sesmaria, a qual foi dividida entre os seus quatro filhos.

Em 1826, foi elaborada uma primeira planta do local, indicando nascentes de fontes, ranchos erguidos para enfermos, cemitério e área para construção de um hospital e de algumas casas.

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Other:Artigo sobre a fazenda do favacho, publicado DBO Maio de 1985
Posted by: Enio Carvalho Dias, "Junqueira Rezende" on Nov 18 2010 13:21

Fazenda do Favacho, Cruzilia, MG

Entre o culto do passado e o cultivo do presente,

o drama da fazenda mineira

(publicado no jornal "DBO" de maio de 1985)

Mário Mazzei Guimarães pergunta: como se manteve e como vai manter-se fazenda com solar erguido em 1750?

Cultuar o passado e cultivar o presente pode tornar-se uma contingência em muitas fazendas antigas do interior do Brasil, que apresentam condições para resistir à decadência, e cujos detentores não se conformem com ela. Seria o caso da Fazenda Favacho (lugar de favas?), em Cruzília, MG, o decantado berço da família Junqueira, possivelmente a mais tradicionalista e mais persistente nos hábitos rurais das que se identificam no país.

Ela situa-se no Sul de Minas, na bacia do Rio Verde, formador do Rio Sapucaí, por sua vez afluente do Grande, que, com o Paranaíba, compõe o Paraná. Está no raio de influência do famoso "Circuito das Águas",

formado pelas estâncias de Caxambu, São Lourenço, Cambuquira e Lambari. Nessa fazenda, permaneceu, pela herança, o domínio de um ramo central da família Junqueira, até pouco tempo, quando surgiu o impasse, mais dramático do que em eventuais e similares situações anteriores: aguentar ou vender? Preferiu-se a segunda ponta do dilema, com a atenuante de que a propriedade passou a mãos de Junqueira, embora de outros galhos do mesmo tronco e até com alta porcentagem de sangue de outras famílias. Mas nas quais o vendedor localizou o mesmo empenho em manter o legado, com os aperfeiçoamentos do tempo e as adaptações que a sobrevivência reclamar.

A PRÉ-HISTÓRIA

O lugar onde hoje se instala a Fazenda Favacho foi ponto de convergência de mineradores da época setecentista, que exploravam os veios de ouro das bacias do Baependi, Peixe, Verde, etc. A casa da fazenda e a capela, devotada a São José, foram construídas por uma companhia de mineração, por volta de 1750. A capela ainda mantém, no frontispício da entrada, a memória escrita, em gravação rústica: "Benta a 1-1-1761 – D. a S. José". Mas a construção seria anterior. Tudo lembrando o límpido barroco da época, o chamado colonial do século XVIII.

Decaída a mineração, o primeiro Junqueira, ainda português, João Francisco, casado com gente da região, de origem ilhoa, e enriquecido na mineração, comprou em 1764 a Favacho, então abrangendo 9 mil hectares, e tornou-se o portador das construções, grandiosas na época para uma simples fazenda: foram erguidas para sede de um conjunto de catas de ouro. Mas nelas se instalou, e nelas nasceram sete filhos, o mais velho dos quais, João Francisco Junqueira, o Filho, continuou na fazenda; e o mais novo deles, o Barão de Alfenas, deixou nome na política e no Mangalarga, "o cavalo dos Junqueira".

Ambos, o patriarca e o filho mais moço, o barão acham-se enterrados em São Tomé das Letras, lugar próximo, famoso por suas inscrições pré-históricas. Antes mesmo da morte de João Francisco, principiou a dispersão da família, a princípio tímida, pela região mesmo, reforçada pelos casamentos, muito comum entre primos; depois, mais ousada, atingindo regiões mais distantes de Minas e aventurando-se por São Paulo, onde, no século passado, era comum a gente Junqueira com fazenda pela Mogiana e pela Paulista Velha. Formaram-se mesmo núcleos

típicos, como os de Orlândia e Colina, os primos se cruzando à larga e concentrando o sangue.

O SOLENE E O TRIVIAL

O velho João Francisco, ficado no lugar, pacificado como fazendeiro – diz a tradição da família que por influência da mulher -, foi sucedido na Favacho por João Francisco Junqueira Filho, o herdeiro mais velho. A este, de pai para filho, sucederam-se José Frausino Junqueira, a quem se atribuem grandes mudanças na exploração agropecuária do imóvel; Francisco Olinto Forte Junqueira (morto em acidente, quando caçava na fazenda); e Gabriel Francisco Junqueira de Andrade, este também com marcas fortes em instalações para a exploração de gado leiteiro e eqüinos. A sexta geração foi representada inicialmente pelos filhos de Gabriel, Geraldo e Rubens Junqueira de Andrade.

O primeiro apartou-se do irmão, indo afazendar-se em São José do Rio Pardo, SP, onde comprou velha fazenda de café, transformando-a em pecuária (ver último DBO, págs. 46 e seguintes). Rubens continuou só, ajudado pela flama da mulher, dona Nísia Aguiar, que não é Junqueira, mas, fazendeira em Santo Antonio do Amparo, MG, soube avaliar a importância do legado familiar de que se tornou co-depositária. Empenhou-se mesmo, paciente mas energicamente, em que neutralizar os ingênuos desperdícios de anteriores mulheres de casa, que presenteavam os parentes com móveis e peças várias do acervo concentrado na sede da Favacho. Recuperou o grosso dessas doações, feitas as vezes puerilmente por quem preferia uma cama-patente a uma vasta cama com alto espaldar entalhado na cabeceira e artístico dossel bordado. A sede da Favacho hoje é um rico museu de louças, cristais e móveis antigos, desde os tempos coloniais, quase tudo de uso dos antepassados Junqueira.

A casa mede cerca de mil metros quadrados e mantém seu risco original, exceto na parte dos fundos, onde o último proprietário em linha reta, Rubens, transformou um corredor e antigos cômodos em espaçoso living para almoço e estar, instalou copa e nova cozinha, e acrescentou uma confortável varanda desfigurativa, mesmo do lado externo. Percebe-se que o casal e os filhos, sob a pressão da convivência com parentes "modernos" e cuidando da sociabilidade, deram um passo no sentido de separar a parte monumental, corrigida por banheiros, da parte da rotina caseira: aquela servindo apenas para visitas de cerimônia ou de

curiosidade e dormitório, bem como para jantares comemorativos em vasto salão, e a outra para o dia-a-dia do convívio familiar e das visitas simples. O monumento pegado ao lar. O moderno para o cultivo da vida presente justaposto ao antigo, cultuado.

O ÚLTIMO FAZENDEIRO

Perdido o pai na década de 50, os irmãos Geraldo e Rubens Junqueira de Andrade já podiam contar com uma rede de mercado de leite mais adequada à exploração econômica do rebanho e dos pastos. Ficando só, Rubens valeu-se de estrutura armada pelo pai e acentuou a exploração leiteira, não deixando de lado a velha companhia da Favacho, o Mangalarga. Fazia naturalmente a lavoura branca, para consumo e comércio.

A fazenda, inicialmente com 9 mil hectares, desmembrou-se pela herança e pela venda (em regra entre parentes) e, no tempo de Rubens, estava com 3.400 hectares. O gado em uso era mestiço de Holandês com Zebu. A terra dominante é de campo limpo (40%), havendo ainda cerradão, a melhor (30%), cerrado (25%) e várzea (5%). Nas partes melhores, instalou-se o capim-gordura e, perto da sede e dos retiros, piquetes de outros capins, como o quicuio. O número de casas habitáveis, resíduo dos tempos coloniais e imperiais, era relativamente grande para as necessidades do pastoreio. Dessa forma, havia (e há) na Favacho sempre algum material de construção, sobretudo telhas, para novas benfeitorias. Num curral de embarque, feito há pouco, o atual proprietário usou velharengas telhas "paulistas" na parte coberta, destelhando residências vazias.

A DURA LARGADA

Com hábitos rurais e grande vocação agrícola, e se é apegado pelo sangue à Favacho (seus pais e irmãos mortos acham-se enterrados no cemitério que rodeia a capela) e tendo ainda mulher de origem fazendeira de devotada ao culto do monumento familiar, como deu na cabeça de Rubens vender a propriedade?

O fator econômico deve ter pesado demais. A conservação da fazenda e das suas valiosas e históricas benfeitorias custava muito. A exploração leiteira salvo pequenos hiatos, é pouco rendosa, e até deficitária anos

seguidos. A topografia acidentada não ajuda a formação de grandes lavouras mecanizadas. A pecuária de corte não tem tradição na área. Os irmão que se libertaram do "complexo da Favacho", apesar do culto afetivo, mas platônico, que lhe devotam, parece que obtiveram mais sorte financeira que ele, em empreendimentos rurais de fora.

No fundo, Rubens estava à custa própria, sendo o guardião da família, da enorme e opulenta família Junqueira, que se ramificava por Minas, São Paulo e outros Estados, geralmente devotada às lides rurais e ... à caça, e que venerava o ninho da Favacho, mas a respeitosa distância. Rubens até promoveu grandes reuniões do imenso clã, como uma, famosa, em 1981, quando compareceram cerca de 1.500 parentes. Cada um pagou a sua cota na despesa estimada, mas o ônus da organização e os naturais estragos de uma comemoração dessas recaíram sobre o fazendeiro, que ficou no toco, e a sua mulher.

Acontece ainda que Rubens se mostrava cansado e assumia outro compromisso, de tocar fazenda vinda da família da mulher, no município de Santo Antonio do Amparo, mais ao Norte, além de lavras e Perdões. Achou que deveria passar o facho. "Achei que deveria vender e, se preciso, venderia até a estranho. Mas é lógico que preferia alguém da família". Os irmão se interessaram, mas não chegaram a uma solução.

O SIM DA MULHER

Daí o negócio com um Junqueira pela metade, o paulista José Mário Junqueira de Azevedo, sem ascendência rural, pelo menos próxima, do lado paterno, gente pernambucana da magistratura e do cartório, ele mesmo um serventuário. Mas Junqueira com ramificação dupla até o patriarca, pelo flanco materno, e casado com Junqueira de Colina & Monte Azul, SP, também com mão dupla na linhagem estaqueada na Favacho.

Empresário rural em Mato Grosso do Sul e no Acre (já foi em São Paulo e no Paraná), presidente e diretor de entidades rurais de âmbito nacional com sede em São Paulo, José Mário é meio Junqueira pelo sangue, mas inteirinho pelo sentimento e também pelo culto intelectual. Tem a história (e as lendas) da família na cabeça, é uma espécie de intérprete e mesmo de teórico do que poderia se chamar de "junqueirismo" – podendo trançar em outras atividades, mas sempre com o umbigo preso à terra e à sua exploração, do puramente venatório ao mais sofisticado cultivo.

A mulher de Rubens, dona Nísia Aguiar, aprovou a venda e a escolha do comprador, e o negócio se fez, a preço relativamente módico, mesmo para a época (fins de 1982), de Cr$ 130 milhões, a prazo médio, abrangendo 2.100 hectares (quase 870 alqueires dos da medida paulista e 700 dos da medida de Cruzília, já que, na região, varia muito o âmbito da medida de lugar para lugar).

Dona Nísia perguntada pelo repórter, numa visita à fazenda, explicou: "saudade, eu sinto, gosto daqui, trabalhei aqui, e aqui fiz a família. Mas tudo tem seu tempo e hora. E chegou a hora de vender. O Rubens estava sobrecarregado, ficando cansado, tínhamos que sair. O problema era deixar o barco em mãos de quem o tocasse para frente. Não me arrependo do negócio".

O casal mora tranqüilamente na cidade de Cruzília, a dois passos da velha e ampla igreja local. Os filhos, afazendados, tocam a vida, e um deles com parte da Favacho, na serra, a cavaleiro da gleba passada a Zé Mário e onde até cultiva café. Aliás, Rubens, no seu afã de dar destino econômico à fazenda, também tentou a cafeicultura, de pouca tradição no lugar, mas foi derrotado pelas geadas. Parou na década de 70, deixando inúteis o terreirão armado à frente da sede e a máquina de café Pinhalense que chegou a montar.

A VEZ DO EMPRESÁRIO

E o novo dono da Favacho, que com a compra recebeu o duplo legado de cuidar da fazenda e do solar e capela e de cumprir a tradição dos Junqueira, que está fazendo e o que pensa fazer?

Para começar, "isto é patrimônio de família", espécie de bem fora do comércio, José Mário tem filhos mais Junqueira pelo sangue do que ele, e com apego à agropecuária. Tem para onde passar o facho recebido. Mas não quer a Favacho para mero desfrute sentimental: é empresário, quer fazer dinheiro nela.

Em dois anos principiou tarefas, para incutir o seu estilo pessoal, mais de empresário do que o de Rubens, a rigor um fazendeiro. Está destocando, arando e corrigindo os cerradões para a formação de pastagens artificiais, e já dispõe de 150 hectares formados de andropogon e braquiária

(decumbens e braquiarão), meio a meio, além de pasto de pangola na várzea.

Este ano, espera formar mais 100 de andropogon, para ele mais rústico e de melhor pasto que a braquiária. Entra no cerradão, mas já está abordando o cerrado e o campo limpo.

Mantém o gado leiteiro, como Rubens, mas em pequena escala, embora comercial (umas 100 cabeças). Entretanto, o seu principal alvo pecuário é o bovino de corte, base Nelore. Em breve, estará com 2.500 novilhas e vários reprodutores, e espera a primeira colheita maciça de bezerros. Na Favacho, planeja criar e recriar; e, numa fazenda que comprou em Resende, RJ, à beira do mercado carioca, "muito valorizado e que paga à vista", vai engordar os garrotes dos campos da Favacho, transformado em pastagens artificiais. Complementarmente, prepara-se para formar canavial que lastreie uma microdestilaria de álcool e um alambique. Lança, ainda, um rebanho de búfalos Jaffarabadi. E, como Junqueira, não perde a linha: tem jumento gerando muares numa eguada.

"Cavalo exige muita craneação para vender; o burro, vêm buscar na porta, nem precisa chamar". Mas não vai à últimas como dissidente familiar: também tem o seu plantel, de base Mangalarga Paulista, com umas tinturas de mineiro e Campolina. Tudo tende a sair pampa, como a mãe do garanhão e a aguadas que já levou para a Favacho. Talvez os filhos do atual dono possam dizer no futuro: "o Pampa da Favacho".

Café? José Mário renega de supetão. Não o animam os cafezais (bons) que adornam encostas do lugar. O longo e duro inverno cruziliense, com geadas escorchantes, seria eterna limitação.

E o solar dos Junqueira? E a capela em louvor de São José? José Mário também pretende conservá-los, bem como o cemitério, onde patrões e peões de várias gerações se reencontram debaixo da terra , e as respectivas amuradas. Ainda em 19 de março último, prestigiou grande festa religiosa que anualmente ali se realiza, reunindo até mil pessoas das redondezas e acusando presença até de deputado e mais gente importante. Mas não pretende dar as vastas festas aos Junqueiras. Talvez pense em isolar a área sede e da capela, numa espécie de monumento arquitetônico e museu familiar, com antigas peças de mobiliário, oratórios,

pratarias, fotos e quadros antigos – símbolo do Brasil colonial da mineração e que, na zona, foi mantido pelo esforço do agricultor e do criador.

Seria uma atração turística, a enriquecer as outras já existentes na região e desfrutadas pelos que freqüentam as estâncias do "Circuito das Águas". Seria o Junqueira, tido como "fechado", abrindo-se ao público. A sede poderia tornar-se auto-sustentável e estimular uma conservação mais caprichosa, desde os interiores até os caminhos e os jardins.

O explicável e o inexplicável

A sede da Fazenda Favacho está erguida numa colina, dominadora, com a frente para a nascente, e a fachada das janelas principais para o Norte. Os fundos dão para o Sul. E, por detrás deles, mas "dentro dos muros", estendem-se os estábulos e os currais, obra do antepenúltimo titular. À esquerda de quem olha para o Norte, das janelas dando para o terreirão empedrado, está uma ala de cômodos de serventia, num dos quais o penúltimo titular instalou a máquina de benefício de café, que ali ainda jaz. Só mais para o Norte, numa baixada, instalam-se as velhas cocheiras e os paióis (colhem-se cerca de 80 carros de milho, este anos). A área murada, com pedra, tijolo e taipa, em torno da sede, mede quatro hectares).

Para o lado do nascente, mais ou menos, amplamente avistada da sede, ergue-se a capela dedicada a São José, toda murada quadrangularmente, com um cemitério aos fundos e do lado esquerdo (neste, o mausoléu onde estão os restos de Gabriel e Adelina, os penúltimos donos da Favacho). Da porta da sede à da capela, vão mais ou menos 500 metros em linha reta. À frente da capela, uma grande cruz de madeira. No baixio, entre a sede e a capela, há curso d’água represado, e a lagoa, cheia de tilápias e traíras, além de local de banho dos búfalos e bebedouro de gado, reforça a merenda dos pescadores do lugar.

Explica-se a existência da sede da Favacho, numa região de terras relativamente pobres e muito acidentadas, sem que por ela tivesse passado o café, esparramador de riqueza e abridor de amplos e profundos alicerces: é que, por detrás do belo solar, houve a retranca próxima da mineração do ouro. Mas, e a sede da Fazenda Traituba, em Cruzília

mesmo, maior ainda, uns 1.500 metros de área construída, com amplos gramados em redor, e mobiliário que lembra tempos faustosos?

A casa, no momento em reparos, comemora 150 anos, vem portanto de época mais recente, do Império. O fundador, João Pedro Diniz Junqueira, genro do Junqueira patriarca, era tido como comerciante muito rico, mas investir naquele lugar e naquele tempo, sem uma exploração lastreadora ? O motor seria a larga escravaria vinda das minas exauridas? Além da mão-de-obra de construção, ela dava aluguel e era mercadoria de venda... Do café, os Junqueira garantem que não saiu dinheiro.

O assunto naturalmente será objeto de conversas na festa que vai reunir a Junqueirada pelos quatro cantos do país, em setembro próximo, na festa de aniversário da Traituba, com os seus amplos salões lembrando saraus imperiais, o piano de 1862 ainda afinado, a mobília de 13 peças de assento da sala de visitas, o oratório de antes de 1830, e vastas mesas, e camas, e arcas, e canastras, da mais sólida madeira e da arte mais genuína e datada.

Capela da Fazenda Favacho

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