VOTAR, VERBO INTRANSITIVO
por Mario Mattos Rocha Ser petista de primeira hora Coordenar a Verificação Informatizada de Contagem de Votos da Eleição do Lula para Governador do Estado de São Paulo, em 1.982 (lembram, que mico!) Batalhar durante mais de vinte anos pra eleger o Lula Presidente da República! Ver desmoronar o trabalho de milhares de militantes em pouco mais de um ano quando o Presidente da Republica, por nós eleito, jogou no lixo o nosso patrimônio fundamental frente a nossos adversários: a ÉTICA, quando diante do escândalo do MENSALÃO defende os implicados mesmo depois de comprovações de culpa. Ser um educador e constatar que a maior autoridade brasileira, por suas declarações públicas se orgulha de ter chegado ao cargo sem ter educação formal, com isso incentivando os jovens a não estudarem para incrementar sua formação, pois isso não seria fundamental. Nosso Presidente teve todas as oportunidades de estudar, antes e depois da eleição. Não estudou porque não quis. Estudar não é desmerecimento. Veja o exemplo de outros, como Vicentinho que hoje tem curso superior. Acho que isso não o desmerece, pelo contrário mostra a vontade de melhorar seu desempenho. Não entendo porque ter orgulho de ser ignorante se tem os meios de buscar conhecimento. O cargo lhe permite contratar um professor de português que lhe ensine a usar corretamente a concordância verbal, concordância de gênero e de número. Aprender uma língua estrangeira também não é um absurdo. Parece que as empresas estão exigindo isto no curriculum. Não se aprimorar é um desrespeito ao povo brasileiro, mas entendo que também é um golpe de marketing, principalmente internacional. Afinal somos um País folclórico. Verificar que na área da Educação nada se fez de significativo no Ensino Básico em oito anos de governo. Os últimos que conseguiram realizar um trabalho sério nesta área foram Luiza Erundina em São Paulo e Cristovam Buarque em Brasília, ambos expulsos do PT. Ser um democrata e verificar que aquele que ajudei a subir ao poder pelos processos democráticos, tem apenas um objetivo: MANTER-SE NO PODER. Desta forma ele ignora a legislação, as instituições e a ética. Baseado em sua popularidade ele acha que pode tudo e que não deve satisfações a ninguém. Sei de uma pessoa do século passado que tinha aceitação quase unânime pelo povo de seu país. Seu nome era Mussolini. Ser um homem de Partido Político tendo que votar em alguma eleição em um candidato que eu não achava o melhor, mas o Partido achava. Identificar que o PT foi o único Partido de oposição responsável até que assumisse o poder. Ver o Partido dos Trabalhadores, que ajudei a construir, ser tomado por uma onda de corrupção e cujos dirigentes alegam que “isto já existia antes”. Não foi pra isso que eu lutei. Não foi pra fazer um governo um pouquinho melhor do que os anteriores, como eu acho que esse é. Foi pra criar um mundo melhor: com educação, sem corrupção, sem mentiras. Foi pra criar um país que pudesse ser visto pelo Homem mais Importante do Mundo como O PAÍS e não seu dirigente como O CARA que não acho que ele é. Reconhecer que os programas sociais como o Bolsa Família ajudaram a tirar da miséria absoluta milhões de brasileiros, mas são usados escancaradamente como moeda de compra de votos. O correto seria criar campanhas educativas dentro dos programas como: “Arrume um emprego e orgulhe-se de ceder seu Bolsa Família para outro mais necessitado” e não: “Cuidado, se arrumar emprego vai perder seu Bolsa Família”, como é hoje. O que acontece atualmente, na prática, é um incentivo à vadiagem, pois não há nenhuma ação no sentido de que o beneficiado supere sua situação presente. Ver o Partido dos Trabalhadores, estar dominado por cerca de 1/3 de corruptos em seus quadros. Ouvir velhos companheiros de luta - imitando seu líder que confunde o cargo da Presidência da República com a função de cabo eleitoral sem o mínimo pudor e respeito às leis - blasfemarem contra seus adversários políticos como se eles fossem inimigos mortais num linguajar que mais parece vir de bocas de (más) torcidas de futebol. Isto tipifica total incivilidade e péssima postura política. Nunca pregamos “O Poder a qualquer preço” e sim “O Poder pela justeza das Causas e das Ideias”. Votar em quem? Em Dilma não pode ser pelo que expus acima. Serra é PSDB, adversário histórico. Nulo ou branco não é protesto. Votar nulo ou branco quer dizer: “Votei no vencedor”. Explico: Se 40 milhões votam na Dilma, 38 milhões votam no Serra e 4 milhões votam brancos e/ou nulos, ganha a Dilma, ou seja, é a mesma coisa que se os brancos/nulos tivessem votado nela. Eu não posso votar nela e contribuir com a continuidade de tanto descalabro. Então devo deixar de ser um homem de Partido, pois só me sobra uma alternativa: tenho que votar no Serra e recomendar que o PT volte à oposição responsável e ética e reaprenda a jogar o jogo democrático. Votar nesta eleição é verbo intransitivo, simplesmente porque votar ficou mais importante do que em quem votar. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mario Mattos Rocha é Professor de Física e Funcionário aposentado da Universidade de São Paulo – USP Colaboração de Guega Rocha Carvalho |